Volume 1: O Herdeiro do Vazio e a Prodígio das LinhasCapítulo 1: O Defunto que Ouviu DemaisA escuridão não era silenciosa. Matsuya Ryuta, ou melhor, o que restava da sua consciência, sentia o peso frio do mármore e o cheiro enjoativo de incenso. Ele estava morto. O acidente no almoxarifado militar — envolvendo uma empilhadeira desgovernada, 400 fardos de papel higiênico e uma queda em câmera lenta — tinha sido o fim.Mas ele ainda estava ali. Por algum erro "burocrático" celestial, sua alma ficou presa no próprio funeral.— "Sério, quem morre esmagado por papel higiênico folha dupla?" — A voz de seu antigo sargento ecoou, seguida de uma risadinha abafada. — "Disseram que ele tentou equilibrar a pilha enquanto lia um mangá," comentou um colega. "Patético. Morreu como viveu: sendo um erro de logística."Ryuta sentia uma fúria impotente. Eu estava tentando otimizar o estoque, seus imbecis!, ele gritava mentalmente. As pessoas riam. Até sua ex-namorada parecia mais entretida com o buffet do que com o caixão.— "Basta de humilhação, não acha?"A voz era grossa, vibrante como o som de um trovão distante. De repente, o funeral sumiu. Ryuta estava em um espaço branco infinito diante de uma esfera de luz dourada.— "Você é Deus?" — perguntou Ryuta. — "Sou o Administrador. Você morreu de forma burra, Ryuta. Mas sua mente é organizada, e eu preciso disso em Aetheria. Vou te reencarnar aos 4 anos de idade. Você terá afinidade com todos os elementos, mas ouça bem: se alguém descobrir que você veio de outro mundo, você será dissecado por inquisidores. Mantenha o bico fechado." — "E as magias? Vou ser apelão?" — "Você terá o ranking 'Sem Aprendizado'. Na prática, você é um isqueiro com defeito. Se quiser poder, terá que trabalhar. Agora vá, e tente não morrer por causa de suprimentos domésticos desta vez."
Capítulo 2: O Orfanato de Krest e a Chegada da "Tempestade"Ryuta acordou em um corpo minúsculo, cercado por paredes de pedra cinzenta e o som de botas militares marchando lá fora. Ele estava no Reino de Aethelgard, no Continente de Vaeloria, um lugar onde a cultura é ditada pela "Elegância Mágica". Se você não sabe conjurar uma luz básica para ler, você é lixo.Aos 6 anos, Ryuta já era conhecido como o "Moleque Estranho". Enquanto as outras crianças tentavam soltar faíscas, ele estava desenhando mapas de fluxo de trabalho para a lavanderia do orfanato.Foi quando Ichi chegou. Ela entrou no refeitório como se fosse a dona do mundo, apesar dos cabelos brancos bagunçados e das roupas rasgadas. Ela era de Zandalar, o continente vizinho, conhecido por guerreiros brutais e pelo idioma Zandari, que soa como rochas batendo umas nas outras.— "Quem é o líder deste lugar de perdedores?" — perguntou ela, no dialeto vaeloriano arrastado. Ryuta, sem tirar os olhos de sua sopa rala, respondeu: — "O líder está lá fora gritando com os recrutas. Aqui dentro, somos só nós e esse mingau que parece cola de sapateiro. Senta e come, 'Princesinha'."Ichi bateu na mesa, fazendo a sopa de Ryuta pular. — "Eu sou da linhagem dos Ichi! Eu sinto a mana correndo nas minhas veias!" — "Legal. Pena que a mana não serve pra tirar essa mancha de sujeira no seu nariz," Ryuta retrucou com um sorriso sarcástico.Foi o início de uma guerra de dois anos.
Capítulo 3: O Mistério do Bioma: A Floresta dos EcosAos 7 anos, para provar quem era o melhor, Ichi desafiou Ryuta a entrar na Floresta dos Ecos, um bioma na borda da cidade onde as árvores repetem seus segredos e os Coelhos-Adaga caçam em bando.— "Você está com medo, Ryuta?" — Ichi provocou, as mãos brilhando levemente com uma luz azulada instável. — "Não, só estou calculando o quanto de curativo vou ter que gastar quando você tropeçar naquela raiz ali na frente."Cinco segundos depois, Ichi tropeçou. Ryuta a segurou pela gola da camisa, mas ambos rolaram por uma ladeira, parando diante de uma Planta-Chocalho, um monstro botânico que emite um som agudo para paralisar presas.— "Ichi! Use sua voz, agora!" — "O quê?!" — "Cante! Qualquer coisa! O som da planta é uma frequência fixa, precisamos quebrar o padrão!"Ichi, em pânico, começou a gritar uma canção de ninar de Zandalar. O som bizarro e gutural confundiu a planta, dando tempo para Ryuta usar sua magia de [Terra - Ranking Zero] para apenas... jogar um punhado de areia nos sensores da flor.Eles fugiram rindo, cobertos de folhas. Naquela noite, voltando para o orfanato, Ichi murmurou: — "Você não é totalmente inútil, Ryuta." — "Eu sei. Mas você ainda canta como um gárgula engasgado." POW! O primeiro soco dela no braço dele marcou o início da amizade.
Capítulo 4: O Batismo e o "Quase" RomanceO dia do batismo aos 8 anos foi um divisor de águas. Na fila da Catedral de Cristal, o nervosismo era palpável. — "Ichi, se sua benção for algo idiota como 'Limpar Chão', a gente pode casar," Ryuta sussurrou, a mente de adulto pregando peças. "Eu abro uma empresa de limpeza e você é a mão de obra. É o plano de negócios perfeito."Ichi ficou vermelha até a raiz dos cabelos. — "C-Casar?! Você quer me contratar ou quer ser meu marido, seu idiota?!" — "As duas coisas? Descontos para família, sabe como é," ele deu uma risadinha sarcástica.O cristal reagiu. Ryuta: Todos os Elementos - Ranking: Sem Aprendizado. (A igreja inteira riu; ele era um canivete suíço sem lâminas). Ichi: Magia Utilitária (Costura/Limpeza) - Ranking: Básico.Naquela noite, Ichi chorou no telhado. Ryuta sentou ao lado dela. — "Ei. O cristal não sabe de nada. Você costurou aquela planta hoje com a voz. O mundo não está pronto para a gente, Ichi." Ela encostou a cabeça no ombro dele. — "Se você contar pra alguém que eu chorei, eu te mato, Ryuta."
Capítulo 5: A Fuga de Aethelgard (15 anos)Pulamos sete anos de treinamento rigoroso e brigas diárias. Aos 15 anos, o Reino queria enviar Ichi para as cozinhas reais e Ryuta para a infantaria de frente (bucha de canhão).— "Não vamos," disse Ryuta, arrumando sua mochila com precisão militar. "Vamos para as Cidades Livres." Eles fugiram durante a troca de guarda. Ryuta usou seu conhecimento de logística para mapear os pontos cegos dos vigias, enquanto Ichi usava sua [Limpeza] para apagar as pegadas deles na lama.Ao chegarem na fronteira, eles olharam para trás. — "Pronta para ser uma aventureira falida?" — Ryuta perguntou. — "Contanto que você seja o meu carregador de malas... sim," respondeu Ichi, com um sorriso desafiador.
Capítulo 6: A Guilda de Veridia e o Balcão do DesprezoA cidade de Veridia era um organismo vivo. Localizada exatamente na falha entre os continentes de Vaeloria e Zandalar, a arquitetura era uma mistura esquizofrênica de torres de cristal elegantes e forjas de ferro bruto fumegantes. O cheiro era uma mistura de perfume caro, carvão e suor de aventureiro.
— "Mantenha a mão na sua adaga, Ichi. Aqui as pessoas roubam até o seu pensamento se você bobear," alertou Ryuta, olhando para os lados com a paranoia de um sargento veterano.
— "Eu sei me cuidar, Ryuta! E pare de me dar ordens, você não é mais o monitor do orfanato," Ichi rebateu, embora estivesse secretamente impressionada com o tamanho da Guilda dos Desbravadores.
Eles empurraram as portas de carvalho. O barulho lá dentro era ensurdecedor. No balcão, uma elfa de pele escura chamada Mina os encarou com o tédio de quem já viu mil heróis morrerem na primeira semana.
— "Nomes, rankings e quanto dinheiro têm para a taxa de inscrição," disse ela, sem tirar os olhos de uma unha encravada.
— "Ryuta. Multielementar... Ranking Zero. E Ichi. Utilitária... Ranking Básico," respondeu Ryuta.
A taverna inteira ficou em silêncio por três segundos antes de explodir em gargalhadas. Um guerreiro enorme, com uma cicatriz que atravessava o rosto, levantou sua caneca: — "Ei, Mina! Por que não dá a eles a missão de limpar os banheiros? Pelo menos a garota tem ranking pra isso!"
Ichi deu um passo à frente, os olhos brilhando em um azul perigoso. — "Escuta aqui, seu monte de músculos sem cérebro! Se você não calar a boca, eu vou usar minha [Costura de Precisão] para prender sua língua no céu da sua boca. Quer testar?"
O guerreiro parou de rir. Ryuta apenas suspirou, colocando as moedas no balcão. — "Ignore o grandalhão, Mina. Só nos dê nossos distintivos de Cobre. Temos pressa para ser inúteis em algum lugar longe daqui."
Capítulo 7: Missão de Rank F: O Bosque das Mandrágoras BêbadasA primeira missão oficial deles foi humilhante: colher raízes de Mandrágora no Bosque Nebuloso. O problema? As Mandrágoras daquela região se alimentavam de fungos fermentados e ficavam agressivas (e barulhentas).
— "Ryuta, uma delas mordeu minha bota!" — gritou Ichi, tentando chutar uma raiz que gritava como um porco sendo espetado.
— "Não chute! Se ela gritar na frequência certa, nossos ouvidos vão sangrar!" — Ryuta correu até ela. — "Ichi, use sua [Limpeza] para tirar o lodo da boca dela, isso vai silenciar o som!"
— "Limpar uma boca de monstro?! Que nojo!"
— "Faz logo ou eu vou ter que usar meu [Vento Zero] pra soprar poeira no seu rosto e te deixar cega também!"
Eles trabalharam em sincronia forçada. Ryuta imobilizava as raízes com pequenos montes de terra e Ichi usava sua magia utilitária de forma criativa. No fim da tarde, estavam sujos de lama roxa e com as roupas rasgadas.
— "Sabe... essa lama combina com seus olhos," Ryuta disse, tentando quebrar o gelo enquanto descansavam perto de um riacho.
Ichi olhou para ele, o rosto sujo, mas com uma expressão suave. — "Você é um idiota, Ryuta. Mas... obrigada por não me deixar ser comida por uma raiz alcoólatra."
Eles se encararam por um segundo a mais do que o necessário. O coração de Ryuta, na mente de trinta anos, deu um solavanco adolescente. Mas o momento foi quebrado quando Ichi jogou água nele. — "Agora levanta! Temos que entregar isso antes que a guilda feche!"
Capítulo 8: Seraphina — A Tempestade de Ouro e PerfumeDe volta à guilda, enquanto contavam as moedas de bronze, uma presença esmagadora entrou no recinto. A luz parecia se curvar em direção a ela. Era Seraphina von Valerius, uma paladina de Rank A, famosa por sua beleza devastadora e por ser uma "colecionadora de esquisitices".
Ela caminhou direto até a mesa deles. Ignorou Ichi completamente e colocou a mão enluvada no queixo de Ryuta.
— "Então é você? O garoto que ouvi os boatos? Todos os elementos, mas nenhum poder... Você é a coisa mais exótica que já vi em Veridia," disse ela, com uma voz de seda.
Ryuta sentiu o suor frio. — "É... eu sou apenas um erro logístico de Deus, senhorita."
— "Eu sou Seraphina. E decidi que você será meu. Vou te levar para minha mansão, te dar equipamentos de mithril e transformar esse seu 'zero' em algo magnífico," ela sorriu, aproximando o rosto do dele. "O que me diz, Ryuta-kun?"
Ichi levantou-se tão rápido que a cadeira voou. — "Tire as mãos dele, sua loira de farmácia! Ele já tem uma parceira de contrato!"
Seraphina olhou para Ichi como se estivesse vendo um inseto interessante. — "Contrato? Você é a servente? Pode vir também, precisamos de alguém para lavar as armaduras. Mas o Ryuta... ele pertence ao meu lado."
— "Ele não vai a lugar nenhum com você!" — Ichi puxou Ryuta pelo braço. — "Oh? Uma disputa?" — Seraphina riu. — "Adoro desafios. Ryuta, prepare-se. Vou provar que sou muito mais... útil... para você do que essa costureira irritada."
Capítulo 9: A Guerra Fria na EstalagemAquela noite no quarto compartilhado foi um campo de batalha. Ichi não parava de andar de um lado para o outro.
— "Você viu como ela olhou pra você?! Ela é uma predadora, Ryuta! Ela vai te usar de experimento e depois te jogar no lixo!"
— "Ichi, ela é uma Rank A. Ela poderia nos dar missões melhores, dinheiro, equipamentos..."
— "Ah! Então é isso?! Você quer o dinheiro dela?! Quer as 'bençãos' de uma paladina rica?!" — Ichi estava à beira das lágrimas de raiva. — "Vá então! Vá morar naquela mansão e esqueça o orfanato!"
— "Eu não disse que ia!" — Ryuta levantou-se, ficando a poucos centímetros dela. — "Eu só disse que é uma oportunidade estratégica! Por que você está agindo como se eu estivesse te traindo? A gente nem namora!"
O silêncio que se seguiu foi cortante. Ichi engoliu em seco. — "Porque... porque somos rivais. E rivais não abandonam um ao outro por uma loira com peito grande e magia de luz."
Ela se jogou na cama e se cobriu até a cabeça. — "Se você sonhar com ela, eu te mato." Ryuta deitou no chão, olhando para o teto. Droga, Administrador... você não disse que o maior perigo desse mundo seria o ciúme de uma garota de cabelos brancos.
Capítulo 10: O Primeiro Duelo de "Utilidade"No dia seguinte, Seraphina apareceu na porta da estalagem com uma carruagem. — "Vamos, Ryuta-kun! Missão de escolta real. Só para os melhores."
Ichi apareceu logo atrás, com os olhos inchados mas determinada. — "Nós vamos. E eu vou provar que minha magia utilitária é dez vezes mais importante que a sua luz purificadora!"
A missão era simples: levar um carregamento de Seda de Aranha-Cristal através do desfiladeiro. No meio do caminho, foram emboscados por Goblins Ladrões.
Seraphina brilhou como um sol, obliterando cinco goblins com um golpe de espada. — "Viu, Ryuta? Isso é poder!"
Mas enquanto ela se exibia, um goblin sorrateiro cortou as cordas da carruagem, e a seda preciosa começou a cair no precipício. — "A SEDA!" — gritou Seraphina, impotente (sua magia era só destruição).
Ichi agiu. — "Ryuta, crie uma base de terra, AGORA!" Ryuta usou seu [Terra Zero] para criar um pequeno degrau. Ichi saltou e, no ar, usou sua [Costura de Precisão] em conjunto com a [Limpeza] para repelir o ar e puxar as fibras de seda de volta como se fossem imãs. Em segundos, a carga estava amarrada e segura.
Ryuta olhou para Seraphina, que estava boquiaberta. — "Poder é legal, Seraphina-san. Mas logística e manutenção ganham a guerra."
Ichi passou por Seraphina com um olhar de triunfo. — "Um a zero para a 'costureira', loirinha.”
Capítulo 11: A Cidade das Sombras e o Prenúncio da GuerraApós o incidente no desfiladeiro, o grupo não retornou para Veridia. Seraphina recebeu um chamado urgente: a cidade fronteiriça de Oakhaven estava sendo cercada por forças de Zandalar. A trégua de dez anos entre os continentes havia acabado.
— "Oakhaven é o portão de entrada para as terras férteis," explicou Seraphina, enquanto a carruagem corria contra o tempo. "Se cair, Vaeloria passará fome. Ryuta, preciso que você use sua mente estratégica. Esqueça os rankings, me diga o que você vê."
Ryuta olhou o mapa. Sua mente de sargento processava as rotas de suprimento. — "Eles não vão atacar os muros. Eles vão envenenar os poços e queimar os celeiros. É uma tática de exaustão. Ichi, sua [Limpeza] vai ser a única coisa que manterá essa cidade viva se o pior acontecer."
Ichi estava pálida, mas firme. — "Eu não vou deixar ninguém morrer de sede, Ryuta. Mas e você? Seu corpo é fraco. Prometa que não vai tentar ser um herói de linha de frente."
— "Eu sou um logístico, Ichi. Heróis morrem, logísticos sobrevivem para contar a história," ele mentiu, sentindo o peso da Voz Grossa em sua mente, cobrando o despertar de seus poderes.
Capítulo 12: O Cerco e a Invasão dos Golems de FerroOakhaven era uma cidade feita de carvalho antigo e magia de luz. Quando chegaram, o céu estava tingido de vermelho. O exército de Zandalar havia invocado os Golems de Ferro Rúnico, monstros de quatro metros de altura que ignoravam magias de fogo e vento comuns.
— "Seraphina, leve os refugiados para o templo!" — gritou Ryuta. — "Ichi, venha comigo! Precisamos criar uma armadilha!"
Eles correram para o fosso da cidade. Ryuta começou a usar seu [Terra - Ranking Zero] freneticamente. Ele não criava montanhas, ele criava sulcos precisos no solo. — "Ichi! Use sua [Costura] para prender essas correntes de ferro no fundo dos sulcos. Quando o Golem passar, ele vai tropeçar no próprio peso!"
No meio do caos, um novo personagem surgiu: Kaelen, um engenheiro de Zandalar que desertou. — "Vocês são loucos! Aqueles Golems têm núcleos de magma!" — gritou Kaelen, juntando-se a eles. — "Se vocês os derrubarem, eles explodem!"
— "Melhor uma explosão controlada no fosso do que um Golem dentro da prefeitura," retrucou Ryuta.
Capítulo 13: O Sacrifício e o Sangue no SoloO plano estava funcionando, até que o General Valerius, o líder da invasão, saltou da muralha. Ele era um mestre da espada com magia de gravidade. Com um movimento, ele lançou Ichi contra uma parede de pedra.
— "ICHI!" — Ryuta gritou. Seu coração disparou.
Valerius ergueu sua espada negra para desferir o golpe final na garota. Ryuta sabia que seu corpo não aguentaria o impacto, mas sua mente de trinta anos ignorou o instinto de sobrevivência. Ele correu e se jogou na frente da lâmina.
A espada atravessou o ombro de Ryuta, atingindo o pulmão. O sangue espirrou no rosto de Ichi, que acordava do atordoamento. — "Ryuta... não..." — ela sussurrou, os olhos arregalados de horror.
— "Eu disse... que... cuidaria da logística... da sua segurança..." — Ryuta tossiu sangue, caindo de joelhos, mas mantendo as mãos firmes no solo. Em um último esforço, ele usou todo o seu mana para fundir [Terra] e [Água], criando um pântano de lama movediça que engoliu as pernas do General, dando tempo para Seraphina chegar com o contra-ataque.
Capítulo 14: O Desespero e a Lágrima da CostureiraRyuta estava em coma no acampamento médico. O ferimento era grave demais para as poções comuns. Ichi não saía do lado dele. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar.
— "Acorda, seu idiota sarcástico!" — ela soluçava, segurando a mão fria dele. — "Quem vai reclamar do meu mingau? Quem vai me irritar com piadas de casamento? Se você morrer, eu vou te buscar no vazio e te matar de novo!"
Seraphina entrou na tenda, seu rosto cheio de culpa. — "A magia dele está se esvaindo, Ichi. Ele gastou tudo para salvar você. A única forma de estabilizá-lo é uma conexão de mana direta... mas isso exige um vínculo emocional que o cristal não pode forçar."
Ichi olhou para Ryuta. Ela lembrou de cada briga, de cada noite dividindo o travesseiro, do modo como ele a protegia sem pedir nada em troca. Ela se inclinou, as lágrimas caindo no peito dele. — "Eu odeio você por me fazer sentir isso... mas eu te amo mais do que minha própria vida."
Ela o beijou. Não foi um beijo de conto de fadas; foi um beijo desesperado, salgado por lágrimas e carregado de mana. Naquele momento, o Ranking Zero de Ryuta brilhou intensamente. A conexão foi feita.
Capítulo 15: O Despertar do Rei InútilRyuta abriu os olhos. Ele viu o teto da tenda e o rosto de Ichi, que estava a milímetros do seu, com os lábios ainda trêmulos.
— "Sabe... a logística... desse beijo... poderia ter sido melhor planejada..." — ele murmurou com uma voz fraca e rouca.
Ichi congelou. Depois, deu um soco leve (muito leve) no peito dele, antes de abraçá-lo com força e chorar alto. — "VOCÊ ESTÁ VIVO, SEU MALDITO! NUNCA MAIS FAÇA ISSO!"
Ryuta riu baixo, sentindo uma nova energia correndo nas veias. Ele olhou para suas mãos. O status em sua mente havia mudado: [Magia de Terra - Ranking: Básico] [Magia de Água - Ranking: Básico]
Mas o mais importante não era o poder. Era o fato de que Seraphina estava na porta, observando com uma mistura de inveja e respeito. O triângulo amoroso agora era uma guerra aberta, mas Ryuta já havia escolhido sua general.
— "A guerra está só começando, não está?" — perguntou Ryuta. — "Sim," respondeu Kaelen, entrando na tenda. "E o Rei Demônio acaba de enviar o seu segundo General. Ele soube que um 'humano comum' feriu Valerius.”
Capítulo 16: O Triângulo de Ferro e o Acordo DiplomáticoRyuta estava sentado na cama da enfermaria, tentando entender como sua vida passou de "logístico de papel higiênico" para "alvo de disputa de duas mulheres poderosas". De um lado, Ichi, com os olhos inchados e bochechas vermelhas; do outro, Seraphina, com um sorriso predatório e um buquê de flores mágicas.— "Ryuta-kun, agora que você quase morreu, percebi que não posso te deixar nas mãos de uma amadora que mal consegue costurar um botão!" — declarou Seraphina.
— "Amadora?! Eu dei o beijo que salvou a vida dele, sua loira oportunista!" — gritou Ichi.
Ryuta levantou as mãos. — "PAREM! Eu sou um homem de logística! Eu não escolho uma rota se a outra ainda é viável! Se vocês duas querem brigar, façam isso longe dos meus ouvidos. Ou... aceitem que eu preciso das duas."
O silêncio na sala foi absoluto. Ichi e Seraphina se entreolharam. — "Um harém?" — perguntou Seraphina com um brilho malicioso. — "Interessante. Eu serei a Rainha e ela a servente?"
— "NUNCA! Se for para dividir, eu sou a primeira esposa!" — Ichi bateu o pé. O acordo foi selado sob protestos, mas a paz era falsa. A partir dali, cada passo era uma competição.
Capítulo 17: A Batalha dos Mimos (Aventura Paralela)Durante a marcha para retomar o centro de Oakhaven, a competição atingiu níveis absurdos.
— "Ryuta-kun, você parece cansado. Deixe que minha magia de [Luz Quente] relaxe seus músculos..." — Seraphina começou a massagear os ombros dele no meio da rua, fazendo uma expressão de puro deleite.
— "Relaxar?! Ele precisa de energia!" — Ichi interrompeu, usando sua magia de [Ajuste de Temperatura] para deixar a água do cantil de Ryuta exatamente a 37°C com sais minerais. — "Beba isso, Ryuta! Eu limpei cada molécula de impureza!"
Ryuta estava sendo puxado para dois lados. — "Meninas, estamos em uma zona de guerra! Podem focar nos Goblins?!" — "CALADO! ESTAMOS OCUPADAS CUIDANDO DO NOSSO HOMEM!" — as duas gritaram em uníssono.
Capítulo 18: O General das Sombras e a Masmorra VivaA batalha final começou no Castelo de Carvalho. O vilão era o General Malphas, um demônio que controlava sombras e... burocracia maligna. Ele transformou o castelo em uma masmorra viva que mudava de forma.
— "Para avançar, vocês devem provar seu vínculo!" — a voz de Malphas ecoou. O grupo foi separado em salas. Ryuta ficou preso com Ichi em uma sala cheia de Slimes de Sabão, enquanto Seraphina lutava contra Gárgulas em outra.
— "Ichi, se a gente não sair daqui, a Seraphina vai chegar no General primeiro e levar todo o crédito!" — Ryuta incitou. — "Não mesmo! Eu vou mostrar que uma costureira é melhor que uma paladina!" Ichi entrou em um modo "berserker" de limpeza, literalmente varrendo os monstros com uma eficiência assustadora, enquanto Ryuta usava seu novo [Terra - Básico] para criar rampas de alta velocidade.
Capítulo 19: O Confronto Final Contra MalphasEles finalmente chegaram ao salão do trono. Malphas era gigante, com armadura feita de ossos e um cajado que emitia uma aura roxa. A luta durou horas. Seraphina atacava com explosões solares, Ichi prendia os movimentos do demônio com fios mágicos indestrutíveis, e Ryuta coordenava os ataques, usando [Água] e [Terra] para criar lama condutora de eletricidade.
— "Insolentes! Vocês acham que podem derrotar um General do Rei Demônio?!" — Malphas estava enfraquecido, com a armadura rachada. — "Nós não achamos," disse Ryuta, preparando um ataque combinado. "Nós temos a logística da vitória ao nosso lado!"
Seraphina e Ichi deram as mãos (pela primeira e única vez) para canalizar mana para Ryuta. Ele disparou uma flecha de terra embebida em luz que atravessou o núcleo de Malphas.
Capítulo 20: O Feitiço Proibido e o Caos FinalMalphas caiu de joelhos, rindo de forma histérica. — "Vocês venceram... mas eu guardei uma magia para o final. Um feitiço que venho aperfeiçoando há séculos para humilhar meus inimigos... [DISSOLVER VESTIMENTAS MÍSTICAS]!"
Um clarão roxo envolveu o salão. Ryuta fechou os olhos. Quando a fumaça começou a baixar, ele sentiu um vento frio. — "Ih... cadê minha calça?" — Ryuta olhou para baixo. Ele estava apenas de roupas íntimas (por sorte, o feitiço só dissolvia tecidos de fibra mágica externa).
Mas o caos estava ao lado dele. Seraphina e Ichi também foram atingidas. Devido à densidade da fumaça mágica, eles mal conseguiam se ver por alguns segundos.
— "RYUTA! NÃO OLHE!" — gritou Ichi, tentando se cobrir com os braços, o rosto explodindo de vergonha. — "POR QUE VOCÊ NÃO ESTÁ OLHANDO PARA MIM?! SOU TÃO DESINTERESSANTE ASSIM?!"
— "SE EU OLHAR, VOCÊ ME MATA! SE EU NÃO OLHAR, VOCÊ RECLAMA! QUE LOGÍSTICA É ESSA?!" — Ryuta gritou de volta, tapando os olhos com as mãos.
Seraphina, por outro lado, aproveitou a fumaça para se agarrar ao braço de Ryuta. — "Oh, Ryuta-kun! Já que estamos assim... é o destino! Vamos formar uma família agora mesmo aqui nas ruínas!"
Ichi, vendo a silhueta de Seraphina grudada em "seu homem", esqueceu a vergonha. Ela avançou na fumaça como um predador. — "LARGA ELE, SUA PALADINA DESAVERGONHADA! ELE É MEU!"
Ichi começou a puxar Seraphina pelos cabelos (ou pelo que sobrou da capa), e as duas começaram uma briga de gato no meio das ruínas do castelo, enquanto Ryuta tentava achar uma cortina ou um tapete para se enrolar.
— "Administrador... eu quero voltar pro almoxarifado..." — Ryuta choramingou
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