O Presságio dos Tempos
Três anos haviam se passado.O mundo não parou para lamentar.Uma estrada poeirenta cortava a planície como uma velha cicatriz.O vento soprava seco, trazendo o cheiro de terra e ferrugem.Matt caminhava sozinho.Seu manto ondulava ao vento, escondendo parcialmente seus ombros mutilados.Onde antes existiam braços… agora só havia cicatrizes e bandagens gastas.Mas seus olhos já não eram os mesmos.Algo dentro dele havia se endurecido.Em sua mente, apenas uma certeza ardia.— Não importa quantas perdas eu tenha…Seus passos não vacilaram.— Ainda assim, me tornarei o maior Ichiro.Ele cerrou os dentes.— Sob meu comando… ninguém mais sofrerá.Ao longe, as muralhas de uma pequena cidade erguiam-se no horizonte.A Cidade de PedraA Cidade de Pedra fervilhava de movimento.Carroças rangiam pelas ruas.Os comerciantes gritavam suas ofertas.Crianças corriam entre as barracas.Mas no momento em que Matt cruzou o portão—Os olhares começaram.Seguiram-se sussurros.— Olha… aquele cara…— Ele não tem braços…— Como é que ele consegue sobreviver?Uma mulher puxou seu filho para mais perto.— Não fique encarando.Matt continuou andando.Ele já estava acostumado com isso.Um bêbado ria perto de uma taverna.— Ei! Esquisito sem braços!Algumas pessoas riram.— Como você conseguiu colocar essa mochila nas costas, hein?Matt passou por eles.Sem resposta.Nenhuma reação.Porque dentro dele…Algo estava mudando.Algo que o mundo ainda não entendia.
O ataque
O chão tremeu.Um rugido ensurdecedor ecoou pela cidade.BOOOOM.Uma parede explodiu, reduzindo-se a pedra e pó.As pessoas gritaram.— MONSTRO!- CORRER!Um bárbaro colossal invadiu a rua разрушed.Com mais de três metros de altura.Chifres retorcidos.Armadura manchada com sangue seco.Em suas mãos… um machado enorme.Seus olhos ardiam com fúria animalesca.Um grupo de civis ficou encurralado contra uma parede.Uma mãe abraçava seus dois filhos.— P-por favor… alguém…O bárbaro ergueu seu machado.— Hahahaha…Ele lambeu os lábios.— Humanos fracos.O machado começou a cair—Então…Uma voz ecoou.Calma.Frio.- Parar.Todos se viraram.Matt se colocou entre o monstro e os civis.O bárbaro franziu a testa.Então caiu na gargalhada.— Hahahahaha!Ele apontou para Matt.— E o que um aleijado sem braços vai fazer?As pessoas começaram a recuar.— Ele vai morrer…— Aquele cara é maluco…Matt simplesmente respirou fundo.E sorriu.As bandagens em seus ombros começaram a tremer.Algo se moveu debaixo deles.Algo… vivo.O ar ficou pesado.Então aconteceu.Do nada—Emergiram braços negros.Longas como correntes vivas.Formado por fios escuros que se retorcem como serpentes.Elas rasgaram o ar com um som violento.RACHADURA.O solo fraturou sob a pressão.O bárbaro parou de rir.- O que…?Matt ergueu os olhos.— Não subestime… o que restou de mim.Os braços dispararam para a frente.WHOOOSH.Um impacto devastador explodiu contra o peito do monstro.BOOOOM.O bárbaro foi arremessado para o outro lado da rua como um projétil.Seu corpo atravessou uma parede de pedra.Rosa de poeira.Seguiu-se um silêncio.A multidão ficou paralisada.Ninguém entendeu o que tinha acabado de acontecer.Matt permaneceu imóvel.Os braços negros flutuavam atrás dele... como entidades vivas.Um dos civis sussurrou:— Aquele cara…— O que ele é…?Matt fechou os olhos por um instante.Mesmo assim, controlá-lo o esgotava.Mas quando ele os abriu novamente—Seu olhar era inabalável.Sua voz ecoou pela rua rasteira:— Enquanto eu estiver aqui… o mal não prevalecerá.Ele virou as costas.E começou a andar.Atrás dele, toda a cidade observava em silêncio.Sem perceber…Aquele jovem sem braços…Pode ser que um dia mude o destino do mundo.
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