Chapter 1:

Capítulo 1: A Identidade Anônima (UPDATED!)

Un-Awakened


No meio do caos da cidade, a parede se erguia ao redor deles. Uma multidão de habitantes caminhava pelos prédios e asfaltos. Crianças corriam e brincavam, pessoas viviam suas próprias vidas como se fosse um dia qualquer.

Uma silhueta completamente negra se erguia contra a parede de proteção da cidade, cobrindo-a como uma sombra viva que devorava a luz… lenta, enquanto ninguém percebia.

Ao mesmo tempo, em um canto escuro, um jovem vestido de preto, quase como um sobretudo, andava lentamente. Parecia estar com falta de ar, tonto, respirando forte como se estivesse no frio mais cortante, com dificuldades até de se manter em pé.

No céu, uma abertura se formou. A corrupção começou a vazar. O céu escureceu.

Gritos começaram a ecoar por todos os lados assim que a corrupção se espalhou pela cidade. Pessoas corriam em desespero, tropeçando umas nas outras, fugindo da presença opressiva de algo que consumia a luz.

E então, diante da parede corrupta, uma voz baixa se arrastou pelo ar:

“Quero viver…”

Dentre a multidão em pânico, a voz caminhava na direção contrária.

Sangue escorria abundantemente pelo rosto e pelo peito. Feridas abertas. Passos lentos, vacilantes. Mesmo assim, ele continuava avançando contra o fluxo de gente que fugia.

Ele estendeu a mão trêmula na direção da aberração.

“One… abençoe-me…”

O dedo se ergueu.

"Que o paraíso me ilumine..."

No instante em que tocou a massa negra gigantesca que se espalhava sobre a parede, uma onda de pressão brutal explodiu em todas as direções. Raios vermelhos se espalharam.

O ar se tornou uma parede invisível. Pessoas foram jogadas para trás como folhas secas.

A figura negra se contorceu violentamente… e então foi sugada para dentro do corpo do rapaz ferido, diretamente para a marca que habitava em seus braços.

Ele caiu de joelhos. Depois, de cara no chão. Imóvel.


Um pouco antes disso, perto daquele local:

Dentro de um café, barulhos de conversa ecoavam pela sala. Um grupo de quatro pessoas estava sentado no fundo, perto de uma janela de vidro.

“Ele… não chegou ainda?” perguntou uma voz de garota.

“Ele sempre sempre chega atrasado… sempre,” respondeu uma voz masculina mais pesada e firme, mas ainda jovem.

“Estão falando do Homura?” uma voz leve, doce e fofa respondeu. Ela se chamava Vivian.

“Hmpf, a gente tinha combinado de chegar juntos…” A jovem deitou-se contra o assento.

Outro apenas continuou tomando seu café em silêncio.

“Ele estará bem…” disse o garoto de chapéu com certa ansiedade. Seu nome era Lamper.

“Eu sei que ele estaria…” A garota de cabelos brancos com fios azuis brilhantes se levantou. Camellia se chamava.

De repente, o rádio tocou:

“Urgente. Time Vanguards, deem reforço na área frontal da estrutura. Beep———”

“Ah… acabou nosso tempo de descanso,” disse Camellia, levantando-se.

A câmera puxa.

O time estava vestido com ternos escuros, bem profissionais.

Todos se levantaram de seus assentos lentamente e saíram do café.

Em frente à confeitaria, uma voz masculina animada finalmente os alcançou assim que a porta abriu:

“O trabalho vai ser rápido, não se preocupem. Vão pela frente, Reki. Eu cubro atrás.” era o suposto Homura

“Chegou atrasado novamente, Homura. Nem deu tempo pra comer algo. Mas tudo bem,” respondeu Reki com tom profissional. Ele era o integrante mais velho ali.

O time caminhava pela cidade de céus cada vez mais escuros. Criaturas surgiam de cada canto onde a corrupção se espalhava, mas em movimentos simples e precisos, os três resolviam os monstros com facilidade: Vivian com seu guarda-chuva, Camellia com seu taco de baseball e Reki com sua espada longa.

“Devemos resolver a fonte da corrupção,” disse Reki, mexendo no rastreador no ouvido. “O quê? Você disse que ele já foi resolvido?”

“Hum? Alguém o destruiu?” perguntou Camellia.

“Pelo visto alguém chegou mais cedo que a gente…” murmurou Vivian, a mais quieta.

“Estamos chegando lá…” disse Reki para o rádio pela última vez e desligou.


Depois da tela preta.


"Ele" abriu os olhos novamente.

Estava deitado em uma maca, sendo carregado pela cidade ainda sob ataque. Não sentia dor. Na verdade… parecia que ele nunca tinha se machucado.

Suas mãos estavam amarradas uma na outra com cordas grossas. Uma fita adesiva selava sua boca.

Ao redor, pessoas vestidas com uniformes semelhantes, ternos escuros. Logotipos de lanternas antigas de óleo penduradas como símbolo em suas vestimentas.

“Confirmem a identidade dele,” disse Reki com pressa.

“Impossível. Sem informações, sem digitais correspondentes…” respondeu Vivian, olhando para uma prancheta. “Não deve ser daqui, pelo menos não desta cidade.”

Continuaram andando carregando a maca.

“Não conseguiram identificar a correspondência da marca no braço dele? Nem o tipo?” Camellia suspirou.

“Negativo. Além de não ter padrões… também não parece ser natural,” disse Vivian, fechando as páginas.

O garoto de olhar cansado, Lamper respirou fundo. “Como alguém aparece durante o ataque sem nenhuma ferida? Ele enfrentou o corruptivo sozinho?”

“Parece que ele acordou,” disse Camellia, erguendo a cabeça.

Ela se aproximou e, sem cerimônia, arrancou a fita da boca dele.

“Informe seu nome, identidade e…”

Ele piscou lentamente.

“E-eh? E-Eu… quem?”

Todos pararam. Olhares confusos se cruzaram.

Camellia, já sem paciência, aproximou-se.

“Olha, não vou repetir duas vezes.”

Ela agarrou a gola da roupa dele com força.

Reki segurou no pulso dela, firme.

“Acalme-se… afinal, é só um desconhecido.”

Ela soltou, bufando.

O rapaz apenas repetiu, voz baixa e perdida “Eu… não lembro de nada.”

Um estrondo gigantesco sacudiu o chão. Gritos distorcidos ecoaram sobre o corredor da cidade.

“Droga…” murmurou Reki. “Só vamos terminar a missão. Proteja ele, Lamper. E Camellia, você vem comigo.”

“Vou reportar o caso pro nosso chefe…” disse Vivian baixinho.

E se afastou, deixando apenas Lamper e o rapaz sem nome.

Lamper olhou para ele após recuperar a postura.

“Venha comigo.”

Eles começaram a se mover, não rápido o suficiente.

Vinhas pretas de corrupção rasgaram o chão e subiram como serpentes.

Lamper recuou instintivamente. Ele não tinha poder de combate. Mesmo assim, se colocou na frente do rapaz.

As vinhas foram mais rápidas. Se juntaram em uma forma humanóide.

Um corte não tão profundo surgiu no peito e nos braços de Lamper, sangrando.

“Corra!” gritou ele.

Mas o rapaz não correu.

Ele se virou. Instinto puro. Colocou-se entre Lamper e as vinhas.

Tentou forçar algo com as mãos. Nada aconteceu.

Algo o impediu. Uma sombra negra de asas apareceu por um milissegundo.

Então ele foi lançado violentamente contra a parede pela força de si mesmo.

Nesse exato momento, encurralados, uma figura com um cachecol longo que se espalhava pelo ar atravessou em um salto lateral, passando entre os dois.

Um único golpe, sem nem usar as mãos.

Chamas explodiram.

O corruptivo desviou, mas não impediu que as chamas o consumissem em segundos.

O jovem loiro pousou em uma pose confiante, cachecol esvoaçando dramaticamente. Olhou para trás.

“Eu disse que ia dar cobertura. Ainda consegue lutar, Lamper?” Homura apareceu

Lamper tossiu, segurando o braço perfurado.

“Eu… coff coff…”

“Eu vou contigo…” disse o rapaz sem nome, se levantando devagar.

O loiro respondeu com um olhar surpreso.

“Mas você… deixe pra lá. Siga meus passos.”

Ele saltou novamente, em direção aos novos corruptivos que surgiam.

O rapaz sem nome tentou forçar algo outra vez.

Nada.

Então ele simplesmente avançou.

Soco após soco.

Cada golpe acertava em cheio com estilo de luta relativamente experiente, mas o corruptivo não recuava… além de regenerar imediatamente.

“Não vai conseguir eliminá-lo sem o poder das marcas, jovem,” disse o loiro, voltando de repente, derrotando os corruptivos facilmente, o cachecol ainda fumegando. “Eles só morrem quando…”

Ele parou.

Seus olhos caíram nos braços do garoto.

Uma marca avermelhada, nem um pouco discreta, pulsava fracamente sob a pele de seus pulsos.

“Oh? Você tem a marca.”

Ele segurou os pulsos do rapaz, examinando.

“Quais são seus poderes?”

Uma voz cortou os dois.

“Eu não acho que ele lembre de algo, Homura…”

Lamper, agora coberto de bandagens improvisadas, se aproximou mancando.

A equipe inteira reapareceu, reunida.

Camellia cruzou os braços.

“Primeiro vamos reportar pro chefe… seja lá o que for isso.”

Após vários minutos de silêncio.

Dentro de um veículo blindado, sacolejante, que deixava a cidade para trás.

Clima pesado, diferente do acostumado.

O rapaz sem nome olhava pela janela, sem expressão.

Sem nome.

Sem memória.

Sem poder.

Ainda.

(Fim do Capítulo 1)