Chapter 1:
Un-Awakened
No meio do caos da cidade, uma silhueta completamente negra se ergueu contra a parede, o muro de proteção da cidade, cobrindo o como uma sombra viva que devorava a luz.
Gritos ecoavam por todos os lados. Pessoas corriam em desespero, tropeçando umas nas outras, fugindo da presença opressiva daquela coisa.
E então, diante da figura negra, uma voz baixa se arrastou pelo ar:
— Eu não devo existir… mas eu quero viver… apenas isso, mundo injusto.
Dentre a multidão em pânico, a voz se caminhava na direção contrária.
Sangue escorria abundantemente pelo rosto e pelo peito. Feridas abertas. Passos lentos, vacilantes. Mesmo assim, continuava avançando contra o fluxo de gente que fugia.
Ele estendeu a mão trêmula na direção da aberração.
— One…
O dedo se ergueu.
No instante em que tocou a massa negra, uma onda de pressão de ar brutal explodiu em todas as direções.
O ar se tornou uma parede invisível. Pessoas foram jogadas para trás como folhas secas.
A figura negra se contorceu violentamente… e então foi sugada para dentro do corpo do rapaz ferido, dentro da marca que habita nos seus braços pra ser mais direto.
Ele caiu de joelhos. Depois, de cara no chão. Imóvel.
Abriu os olhos novamente, mas novamente? é a primeira vez que ele abre seus olhos desde que ele se lembre
Estava deitado em uma maca, sendo carregado pela cidade ainda sendo atacada. Não sentia dor. Na verdade… parece que ele nunca se machucou.
Suas mãos estavam amarradas uma na outra com cordas grossas. Uma fita adesiva selava sua boca.
Ao redor, pessoas vestidas com uniformes semelhantes. Lanternas antigas de óleo penduradas como uma logo, um símbolo diante suas vestimetas.
— Confirme a identidade — disse um deles, voz leve por sinal. Estava de boné, e também um taco de baseball.
— Impossível. Sem informações, sem digitais correspondentes… — respondeu outro, olhando para uma prancheta. — Não deve ser daqui, pelo menos não desta cidade.
Continuaram andando carregando a maca.
— Não conseguiram identificar a correspondência da marca no braço dele? Nem o tipo? — perguntou o terceiro.
— Negativo. Além de não ter padrões… também não parece ser natural.
O quarto homem, pra ser mais exato, um garoto, de olhar cansado, respirou fundo.
— Como alguém aparece durante o ataque sem ferida nenhuma? Ele enfrentou o corruptivo sozinho?
A garota que até então mantinha o seu face debaixo do boné ergueu o rosto.
— Parece que ele acordou.
Ela se aproximou e, sem cerimônia, arrancou a fita da boca dele.
— Informe seu nome, identidade e…
Ele piscou lentamente.
— Eu… quem?
Todos pararam. Olhares confusos se cruzaram.
A garota estreitou os olhos.
— Olha, não vou repetir duas vezes.
Ela agarrou a gola da roupa dele com força.
Outro agente colocou a mão no pulso dela, firme.
— Acalme-se… Afinal, viemos pra salvar, não para ferir.
Ela soltou, bufando.
O rapaz apenas repetiu, voz baixa e perdida:
— Eu… não lembro de nada.
Um estrondo gigantesco sacudiu o chão. Gritos destorcidos ecoam sobre o corredor da cidade.
— Droga… — murmurou o agente que segurava o pulso da garota. — Só vamos terminar a missão rapidinho. Proteja ele, Lamper. E Camellia, você vem comigo.
— Irei reportar o caso pro nosso chefe… — disse o terceiro
E se afastou, deixando apenas Lamper e o rapaz sem nome.
Lamper olhou para ele após recuperar sua postura
— Venha comigo.
Eles começaram a se mover lentamente, não rápido o suficiente.
Vinhas pretas rasgaram o chão e subiram como serpentes.
Lamper recuou instintivamente. Ele não tinha poder de combate. Mas mesmo assim, se colocou na frente do rapaz.
As vinhas foram mais rápidas.
Braços. Pernas. Perfurações limpas. Sangue jorrou.
— Corra! — gritou Lamper.
Mas o rapaz não correu.
Ele se virou. Instinto puro. Colocou-se entre Lamper e as vinhas.
Tentou forçar algo com as mãos. Nada aconteceu.
ao contrário foi lançado violentamente contra a parede pela força de si mesmo.
Nesse exato momento, encurralados, uma figura com um cachecol longo, que se espalhava pelo ar, atravessou em um salto lateral, passando entre os dois.
Um único golpe sem nem usar as mãos.
Chamas explodiram.
O corruptivo virou cinzas em segundos.
O jovem loiro pousou em uma pose confiante, cachecol esvoaçando dramaticamente. Olhou para trás.
— Ainda consegue lutar, não? Lamper?
Lamper tossiu, segurando o braço perfurado.
— Eu… coff coff…
— Eu vou contigo… — disse o rapaz sem nome, se levantando devagar.
O loiro responde com um olhar surpreso.
— Mas você… deixe pra lá... Siga meus passos.
Ele saltou novamente, em direção aos novos corruptivos que surgiam.
O rapaz sem nome tentou forçar algo outra vez.
Nada.
Então ele simplesmente avançou.
Soco após soco.
Cada golpe acertava em cheio, mas nada do corruptivo recuar… além de regenerar imediatamente.
— Não vai conseguir eliminá-lo sem o poder das marcas, jovem — disse o loiro, voltando de repente, derrotando os corruptivos facilmente, o cachecol ainda fumegando. — Eles só morrem quando…
Ele parou.
Seus olhos caíram nos braços do garoto.
Uma marca avermelhada nem um pouco discreta, pulsava fracamente sob a pele de seus pulsos.
— Oh? Você tem a marca.
Ele segurou os pulsos do rapaz, examinando.
— Qual são os seus poderes?
Uma voz corta os dois.
— Eu não acho que ele lembre de algo.
Lamper, agora coberto de bandagens improvisadas, se aproximou mancando.
A equipe inteira reapareceu, reunida.
Camellia cruzou os braços.
— Primeiro vamos reportá-lo pro chefe.
Após vários minutos de silêncio
Dentro de um veículo blidado, sacolejante que deixava a cidade para trás.
Clima pesado, diferente do acostumado.
O rapaz sem nome olhava pela janela, sem expressão.
Sem nome.
Sem memória.
Sem poder.
Ainda.
(fim do capítulo 1)
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