Chapter 2:

Capítulo 2: Lâmpada de Luz

Un-Awakened


O Hummer rugia baixo enquanto cortava o deserto interminável. Areia fina levantava atrás dos pneus largos, e o sol batia impiedoso no para-brisa rachado, transformando o interior do veículo em um forno lento. O jovem ainda mantinha o olhar fixo na paisagem monótona que desfilava pela janela. Dunas, rochas partidas, esqueletos enferrujados de postes e placas que um dia indicaram cidades. Tudo parecia ter sido mastigado e cuspido pelo tempo.

O silêncio dentro do carro era pesado, quase sólido.

“Está denso o clima, não?” quebrou o rapaz loiro de repente, virando o rosto para o protagonista com um sorriso meio torto. “Meu nome é Homura. Eu… não tenho sobrenome. Pode me chamar só de Homura mesmo.”

O protagonista piscou, surpreso com a quebra repentina da tensão. Antes que pudesse responder, o motorista — o homem de cabelo branco desgrenhado como juba de leão — respondeu em poucas palavras sem tirar os olhos da estrada.

“Você ainda não tem nome, é?”

Ele deu uma olhada rápida pelo retrovisor.

“Pode me chamar de Reki.”

“Eu sou o Lamper… como já sabe…” murmurou o rapaz de cabelo verde, ajustando o chapéu de tribunal chinês que parecia não fazer parte do uniforme

A garota de expressão azeda cruzou os braços com mais força.

“Camellia…” disse ela, voz seca.

Uma voz bem mais suave veio do banco de trás.

“Meu nome é Vivian.”

Homura olhou pela janela lateral, como se calculasse a distância.

“Estamos chegando logo logo na Central.”

Minutos depois, o horizonte ganhou contornos. Uma construção colossal surgiu entre as dunas, cercada por muros altos de concreto reforçado. No centro, uma torre fina apontava para o céu como uma lança desafiadora. O portão principal — maciço, com detalhes que lembravam castelos medievais mas moldadas de modernas — rangeu e se abriu lentamente, revelando a torre.

O Hummer parou com um suspiro mecânico. Todos desceram. O protagonista saiu por último, sentindo o calor do chão subir pelas solas dos sapatos. Olhou ao redor: veículos estacionados em fileiras perfeitas, alguns com marcas de batalha, outros impecáveis. Pessoas de uniformes escuros andavam com propósito. Havia algo militar na atmosfera, mas também algo… estranho. Quase religioso.

“Aqui estamos,” disse Reki, batendo a porta do motorista. “O chefe está esperando.”

Ele os guiou até uma porta dupla em frente a torre. Quando se abriu, o interior revelou um salão amplo, iluminado por lâmpadas frias e lustres de design clássico. Parecia o lobby de um hotel de luxo abandonado há décadas e depois reaproveitado por alguém com muito dinheiro. Pisos de mármore negro, paredes com relevos geométricos, móveis escuros e minimalistas.

Passos ecoaram.

“Bem-vindos~” veio uma voz masculina, nem tão aguda nem grave, carregada de um tom teatral.

Um homem alto surgiu do corredor lateral. Vestia um longo manto branco de cientista, mas com detalhes em ocre nas mangas e gola que o tornavam mais cerimonial do que funcional. Cabelos morenos escuros trançados, bandana estilo egípcio em sua testa, sorriso educado demais.

“Bem-vindo, jovem sem nome, à nossa Central dos Lamp Bringers.”

“Lamp Bringers?” repetiu o protagonista.

“Isso mesmo,” Homura respondeu ao lado dele, cruzando os braços. “A gente anda lutando contra os Corruptivos.”

O homem de manto continuou.

“Lamp Bringers. Uma corporação criada com o intuito de trazer a luz a todos. Lutamos, ajudamos, reconstruímos… o que podemos~ Meu nome é Ronan. Ronan Magnus. Pode me chamar de Dr. Magnus também.” Ele deu um suspiro. “Como pode ver, eu sou o chefe deles. Administro esta central.”

O protagonista abriu a boca para perguntar algo — qualquer coisa —, mas Ronan ergueu o dedo com delicadeza.

“E pelo seu azar…”

Antes que o garoto pudesse reagir, o pessoal surgiu atrás dele. O seguraram pelos ombros. Algo frio e pesado se fechou em seu pulso esquerdo com um clique seco. Uma pulseira de ferro grosso, com luzes vermelhas piscando fracamente.

“…a gente vai ter que te restringir e monitorar.”

O protagonista olhou para a pulseira, depois para Lamper.

“Sinto muito,” murmurou o rapaz de cabelo verde, desviando o olhar.

Tempos depois.

O quarto era simples: cama estreita, mesa de metal, uma janela alta com grades finas. O protagonista estava encostado no parapeito, olhando os muros fora da janela. A pulseira pesava no pulso como uma sentença.

Batidas leves na porta.

Ela se abriu devagar. Homura entrou, hesitante.

“Desculpe por ter que passar por isso. É ruim, não é?”

O protagonista deu de ombros, voz baixa.

“Está tudo bem…”

Homura coçou a nuca, sem jeito.

“Amanhã teremos uma missão. O fundador quer te ver.” Ele fez uma pausa. “Eu não vou poder acompanhar, mas… quero que saiba que a gente não quer te machucar ou algo do tipo.”

Ele se virou para sair, mas parou na porta.

“Aliás… durma bem.”

“O-obrigado.”

“É só isso. Desculpe incomodar.”

A porta fechou com um clique suave.

...

Dia seguinte.

Pátio interno. Sol forte. Poeira dançando no ar.

Reki estava no centro do grupo, braços cruzados.

“Camellia, Vivian, Lamper… acho que vocês dão o jeito. Vão levar ele no veículo até SilverTown.”

Ele olhou para Homura.

“Eu vou estar ocupado, mas chego depois.”

Camellia bufou, mas não reclamou. Vivian apenas assentiu, segurando uma pequena mochila. Lamper ajustou o chapéu, parecendo desconfortável.

O protagonista foi guiado até o mesmo Hummer de antes — ainda algemado pela pulseira. O motor roncou e eles partiram.

A estrada era um caminho de terra batida entre ruínas. Prédios tombados, carros enferrujados meio enterrados na areia, placas tortas que mal se lia. O carro balançava devagar sobre o terreno devastado.

“Não se preocupe,” disse Lamper do banco da frente. “Dizem que o chefe é bem de boa.”

O protagonista olhou para Camellia, que segurava o volante com firmeza.

“Eu não imaginava que a Camellia dirigia…”

Ela ergueu uma sobrancelha, mas o canto da boca subiu levemente — quase um sorriso.

“Embora raramente não tive muita chance, eu ainda sei dirigir bem, ok?”

Por um momento, o clima dentro do carro ficou… leve.

Até que o motor tossiu.

“Ué?” Camellia franziu a testa.

O veículo engasgou, perdeu força e parou.

Ela e Vivian desceram imediatamente. Lamper foi atrás, resmungando algo sobre filtro de ar. O protagonista ficou sozinho no banco de trás. Lentamente, abriu a porta e saiu também.

O motor cheirava a queimado.

"não me diga que foi você-" antes que o Lamper pude reclamar-

A terra tremeu.

Não foi um tremor comum. Foi como se o chão inteiro tivesse decidido desabar. Rachaduras se abriram em ziguezague, rápidas demais. O veículo se inclinou, escorregou, e todo o grupo foi sugado para baixo junto com toneladas de areia e pedra.

Queda. Fumaça. Escuridão.

Quando a poeira começou a baixar, o protagonista se viu no fundo de um buraco enorme, cercado por destroços. O carro estava tombado de lado, amassado. Tossindo, ele tentou se levantar.

Vivian apesar de baixinha, se posicionou em frente ao jovem.

Uma sombra alta se aproximou devagar entre a névoa de poeira.

Máscara branca e Passos lentos, deliberados.

Do outro lado da cratera, Camellia e Lamper estavam encostados em uma parede de terra desmoronada. Dois outros mascarados os cercavam. 

Camellia apertou os dentes, entrando em estado de combate

“Precisamos pedir SOS… rápido,” sussurrou Lamper, voz tremendo.

Antes que?

Antes que as sombras decidissem que já tinham esperado o suficiente.


(fim do capítulo 2)