Durante os últimos vinte anos, o maior continente do mundo, Terranova, lar de poderosos reinos e de seres impressionantes, vem sendo ameaçado por forças sombrias, assassinas e predatórias. Esses são os demônios, criaturas malignas cujo único objetivo é destruir tudo em seu caminho, expandindo seus domínios em nome de seu mestre e criador: Astaroth, o Rei Demônio.
Nesse período, humanos, anões, elfos e outras raças têm lutado com todas as forças contra os exércitos de Astaroth. Mesmo enfrentando inimigos implacáveis, muitos ainda mantêm viva sua fé nos deuses, deuses que, há mais de cem anos, deixaram de oferecer sinais, bênçãos ou esperança aos habitantes deste mundo.
Entre os que ainda sustentam essa fé, existem também aqueles que aceitaram a dura realidade: estão sozinhos. Sem o apoio das divindades que durante séculos veneraram, cabe a eles próprios resistir à escuridão. Mesmo assim, o Reino dos Humanos, Unthor, o mais antigo e influente de Terranova, continua sendo a linha de frente dessa guerra.
Frente ao avanço das forças demoníacas, três grandes reinos, os humanos de Unthor, os anões das Montanhas do Oeste, e os elfos de Lythalorien, firmaram uma aliança militar emergencial. Embora cada reino mantenha sua soberania e cultura própria, eles concordaram em unir esforços estratégicos, tropas e recursos para enfrentar Astaroth.
Ainda assim, velhas tensões e desconfianças entre as raças persistem. A mesa onde agora se reúnem seus representantes carrega, além do peso da guerra, o fardo de séculos de rivalidades não resolvidas.
Na verdade, neste exato momento, o rei de Unthor se reúne com aliados de outros reinos em uma reunião estratégica.
Sentados a uma mesa de madeira rústica com detalhes refinados, onde pode-se ver que o carpinteiro responsável dedicou-se muito a ela, em um belo cômodo amplo, as paredes de pedra sustentavam tapeçarias bordadas com brasões, enquanto tochas em suportes de ferro iluminavam o ambiente com uma luz quente e suave. O chão de madeira polida era parcialmente coberto por um tapete espesso, dando à sala um ar nobre e imponente sem exageros.
Na mesma se encontravam cinco cadeiras com cinco ocupantes, onde eles discutiam os próximos passos para a guerra.
Na ponta central da mesa, como se fosse o pai de uma família, está o rei do Reino de Unthor, Castran Valongo III. Um homem que aparentava ter mais de cinquenta anos, vestia roupas que, de longe, deixavam claro que era alguém importante. Com seu manto vermelho e uma coroa cheia de joias, o rei de Unthor não deixava faltar demonstração de riqueza e poder. Seu rosto sempre sério carregava uma barba longa e grisalha. Seus olhos castanhos-claros também tinham um ar de autoridade.
Ao lado esquerdo, sentado na ponta, estava um homem de barba e bigode negros e desgrenhados. Ele vestia uma armadura simples de couro, com um símbolo de martelo sobre uma forja logo abaixo. Esse era o brasão do Reino dos Anões, localizado a oeste de Unthor. Esse homem de estatura baixa, por volta de 1,45 metro, corpo robusto e olhar selvagem e indomável, era Thurgan, o Rei das Montanhas do Oeste, onde vivia o povo dos anões.
— Não, nós devemos enviar o triplo de tropas para o leste do Rio Térsifo e usar força total contra aqueles vermes. Assim os venceremos usando força bruta.
Balançando a cabeça em negação, sentada do outro lado de Thurgan, à sua frente, estava uma mulher de feições finas, cuja beleza exuberante parecia quase etérea. Seus olhos esverdeados, iguais a esmeraldas, contrastavam com os longos cabelos loiros soltos. Suas orelhas longas e pontudas denunciavam sua herança élfica. Era realmente uma elfa esplêndida, não, não uma simples elfa esplêndida. Lady Carey de La Vontana era a Matriarca do Reino Élfico, localizado ao noroeste de Unthor. Como uma verdadeira nobre elfa, vestia um manto branco e belo, não chamativo, mas feito de um tecido raro encontrado apenas em seu reino.
— Uma ideia idiota, mas não fico surpresa vindo de um homem de baixa altura e intelecto menor ainda.
Thurgan cerrou os punhos e rosnou entre os dentes.
— Maldita mulher. Como ousa falar dessa maneira comigo? Sua falta de respeito deve ser paga com a morte.
— Não me ameace, anão, a menos que deseje morrer.
O rei anão então deu um soco na mesa, olhando com um olhar assassino para a elfa, que em nenhum momento demonstrou medo ou arrependimento por suas palavras. Ao perceber isso, Thurgan voltou seu olhar para um jovem sentado ao seu lado.
— Sir Provolon, sendo você o grão-mestre do reino, também deve concordar com meu plano, não é mesmo? E também o senhor não acha que essa elfa deve pagar pelo desrespeito comigo?
Sentado ao lado de Thurgan, estava o grão-mestre de Unthor, Sir Provolon Porstre II, o homem com a mais alta patente militar do reino.
Apesar da aparência jovem, com cerca de vinte e cinco anos, era um estrategista brilhante. Vestia o uniforme militar que indicava sua posição de comando, com uma espada presa à cintura. Sua postura era disciplinada, e os olhos azuis pareciam analisar tudo e todos com precisão.
— Acalmem-se, por favor. Lembrem-se de que somos aliados nessa guerra. E Rei Thurgan, com todo o respeito, não acho que seu plano seja adequado para a situação atual.
Thurgan, mesmo sendo um rei, tinha um enorme respeito por Sir Provolon. No início, quando Sir Provolon foi promovido a grão-mestre e colocado à frente das estratégias de batalha, Thurgan não aceitou bem, queria ser o homem responsável por tudo. Mas, em votação junto aos líderes aliados, ele foi o único contra. Então, em uma batalha em que houve um ataque dos demônios a uma fortaleza dos anões que todos haviam perdido, com o auxílio do novo grão-mestre, Thurgan recuperou facilmente a fortaleza anã. Com isso, o jovem estrategista militar conquistou seu respeito e até mesmo admiração.
— Ainda não entendo o mal do meu plano. É algo simples, porém destrutivo. Porém, se o jovem grão-mestre acha o plano ruim, sei que deve ter um bom motivo. Mesmo assim, quero saber o porquê, meu jovem.
— Agradeço a consideração, Rei Thurgan.
— Por favor, me chame apenas pelo meu primeiro nome. Mesmo você não sendo um rei, ainda assim o considero como um igual em termos de hierarquia.
— Agradeço a consideração, mas mesmo assim eu insisto, pelas normas e ética...
Antes de terminar a frase, Thurgan novamente socou a mesa, porém dessa vez não demonstrava raiva nem nada do tipo. Foi algo feito com um sorriso no rosto. Um sorriso que, para muitos, seria visto como o rosnado de um animal selvagem, mas para Sir Provolon era interpretado como uma fala do tipo: só aceite e não discorde.
— Já basta de conversas triviais e discussões. Somos pessoas ocupadas, principalmente na situação atual. Uma imensa guerra está ocorrendo, que, pela minha visão, não temos boas chances de conseguir nos manter em pé nos confrontos contra nossos inimigos.
Eldros Mirakael era o mago conselheiro do Reino de Unthor, o mago com a maior patente do reino, logo atrás do Arquimago Rufus Ardentus, que no momento não estava presente na reunião.
Eldros, com toda sua elegância, já havia perdido a pouca paciência que lhe restava. Normalmente, ele não achava reuniões com outros líderes úteis para planos, já que a maioria das ideias e planejamentos eram feitos pelo Reino de Unthor, como dito recentemente pelo grão-mestre Sir Provolon.
Lady Carey olhou para Eldros e apenas concordou com a cabeça, confirmando a fala do aliado. Ela o encarou por alguns segundos, analisando-o. Mesmo ele tendo por volta de uns quarenta anos, ainda parecia muito jovem. Barba feita, cabelos longos e soltos, e usava roupas que, se fossem vistas por alguém que não o conhecesse, pensariam se tratar de algum cavaleiro militar, já que ele não se vestia como um mago. Quando ela o olhou pela última vez, lembrou-se de seus antigos amantes de sua época de princesa, onde era, digamos, muito fútil e promíscua.
— Sim, o senhor tem toda a razão, Mago Conselheiro. Vamos seguir com a reunião.
Provolon sabia que, com a ausência de Rufus Ardentus, Eldros se sentia mais que responsável por manter os diálogos focados, já que Rufus sempre colocava todos na linha nas discussões de planejamento.
— Mesmo se mandarmos o triplo para o leste do Rio Térsifo, não teremos chances de vencermos esse embate. Além disso, nesse local os demônios têm um número muito maior que nossas tropas. Para igualarmos, teríamos que mandar, no mínimo, o quíntuplo de soldados.
— Então faremos isso. Vamos matar todos, hahaha!
— Não temos soldados suficientes para isso.
— Então vamos movimentar alguns de outros locais para essa batalha. Simples.
— Oh, meus deuses, como esse homem que se diz rei de um povo não consegue perceber a ideia ruim que tem.
Lady Carey levou ambas as mãos ao rosto e soltou um suspiro demorado. Seus olhos arregalados e sua expressão incrédula diziam mais do que mil palavras.
— Mulher...
Antes que Thurgan pudesse prosseguir com mais algum insulto, Lady Carey lançou um olhar direto a Sir Provolon. Sem dizer uma única palavra, seu olhar deixava claro: prossiga com a explicação.
O grão-mestre então assentiu levemente e pegou, ao seu lado, um cesto cilíndrico feito de couro reforçado. Após abrir a tampa com cuidado, retirou dele um grande mapa enrolado. Estendeu-o sobre a mesa, desenrolando-o com firmeza e precisão. Em seguida, prendeu cada uma das quatro pontas com pequenas tarraxas de metal, fixando o mapa no centro da mesa para que todos pudessem ver claramente.
Sir Provolon alisou a superfície do mapa com uma das mãos, os olhos fixos nos contornos das fronteiras marcadas em tinta escura.
— Atualmente, os flancos de noroeste e centro oeste estão quase comprometidos. Se a pressão inimiga continuar no ritmo atual, teremos no máximo dois meses de suprimentos para manter as defesas nessas regiões.
Ele passou o dedo lentamente sobre o mapa, apontando para dois pontos específicos marcados com pequenos símbolos de fortalezas.
— A fortaleza de Haldras, ao norte, já teve três de suas cinco caravanas de abastecimento interceptadas pelos demônios. No sul, a guarnição de Rhen está operando com menos da metade da força necessária. Isso sem contar os casos de deserção e esgotamento mágico entre nossos arcanistas.
Thurgan coçou a barba desgrenhada, o olhar preso no mapa. Seu tom era mais contido do que antes.
— Entendo... parece que a minha ideia de atacar com força total era mesmo horrível.
Ele soltou um suspiro pesado, mas continuou.
— Ainda assim, não consigo deixar de sentir... que recuar, esperar... parece covarde. Como se estivéssemos aceitando a derrota de antemão.
Sir Provolon manteve o tom calmo, porém firme.
— Não é covardia. É a única escolha sensata. Nosso dever agora é garantir que esses flancos resistam tempo suficiente. Mesmo que isso custe mais vidas. Pelo menos... até o momento de nosso triunfo.
Ao ouvirem aquela última palavra, tanto Thurgan quanto Lady Carey ergueram o olhar para Sir Provolon. Depois, voltaram os olhos para Castran e Eldros, como se tivessem escutado algo fora de lugar.
— Triunfo? Vocês têm alguma arma poderosa escondida e não nos contaram?
— Tenho que concordar com ele. Como não sabíamos de tal trunfo até agora?
Todos presentes na sala ficaram em silêncio. Thurgan e Lady Carey olharam simultaneamente para o rei Castran. Mesmo tão diferentes, ambos deixavam claro em seus olhares semicerrados e narizes bufando que não estavam satisfeitos. O rei, por sua vez, os encarou com seriedade.
Com a tensão crescendo, Sir Provolon se levantou. A cadeira arrastou alguns centímetros para trás, e ele curvou a cabeça profundamente.
— Sinto muito por termos escondido esse trunfo de vocês, nossos aliados. Os motivos...
— Não. Não quero desculpas.
O anão então voltou o olhar diretamente para o rei de Unthor, fixando-o como quem cobra uma dívida.
— Que triunfo é esse, Rei Castran Valongo III? Nos diga.
— Como ousa levantar a voz para Sua Majestade?
— Ele não é nosso rei, é nosso aliado.
— Vocês concordaram em deixar as estratégias militares em nossas mãos.
— As estratégias sim. Mas em nosso acordo também ficou claro que seríamos informados com antecedência, e nossas opiniões respeitadas.
As reuniões de planejamento sempre tinham discordâncias, mas aquela discussão feria mais fundo. Era orgulho contra orgulho, e ambos os lados sabiam disso.
Com um suspiro controlado, Castran se levantou com calma, a calma que Thurgan claramente não tinha.
— Lady Carey, Matriarca dos Elfos. Thurgan Martel, Rei das Montanhas do Oeste. Meus caros aliados. Não foi por falta de confiança... mas porque não desejávamos recorrer a esse triunfo.
— E por que não? E afinal, que triunfo é esse?
— Todos sabem que há vinte e dois anos, Estela Ardentus, esposa do Arquimago Rufus, recebeu o dom da clarividência. Antes de sua morte, ela pronunciou sua última profecia.
Lady Carey estreitou os olhos.
— A profecia dos Sete Heróis...
— Exatamente. A única esperança que pode virar o resultado desta guerra.
Thurgan coçou a barba, a expressão desconfiada.
— Nunca ouvi nada disso. Como ninguém me contou sobre essa profecia?
— Thurgan, os registros que consultei afirmam que seu reino foi informado meses depois, a pedido da própria Estela.
— Talvez seu pai, o antigo rei, tenha recebido a mensagem. Ele não lhe contou nada?
O rosto de Thurgan endureceu. Ele sabia que não, seu pai jamais confiara nele, sempre o chamando de cabeça quente. Mas não admitiria isso diante dos outros.
— Ah, sim... claro. Meu pai comentou. Era algo sobre sete heróis de outro mundo, não? Já havia esquecido.
Lady Carey arqueou a sobrancelha, claramente percebendo a mentira.
— Natural esquecer algo tão... pequeno. Talvez queira nos relembrar os detalhes, majestade das montanhas?
O anão rosnou baixo, mas não respondeu. Castran, então, ergueu a mão.
O rei fechou os olhos por um instante, como se buscasse força em uma lembrança antiga. Sua voz saiu grave, pausada, quase solene, preenchendo o salão como se fosse um eco dos próprios deuses.
— Assim foi dito pela vidente Estela Ardentus: No momento mais sombrio, quando o inferno se erguer para consumir o mundo, sete heróis virão de além das estrelas. Eles se completarão uns aos outros, e sua união trará esperança àqueles que perderam a fé. E o Rei Demônio conhecerá a derrota pelas mãos deles. Mas... entre os sete surgirá um coração traidor. E este, ao se desviar da luz, abrirá o caminho para que as trevas derramem sobre nós um rio de fogo e sangue.
As últimas palavras pairaram no ar como uma sentença. O silêncio seguinte era pesado demais até para respirar.
Mesmo assim, após viajar por alguns segundos em seus próprios pensamentos, Thurgan voltou a confrontar os demais. Não achava aquilo correto, como poderia acreditar em heróis que talvez nem existissem.
— Vocês querem que coloquemos nossas esperanças em um ritual que mais parece conto de fadas? Nunca! Eu, seguidor do Deus da Guerra Heir, jamais aceitaria isso. Seria um insulto a ele.
— Abaixe esse orgulho. Os deuses se calaram há anos. Se esse conto de fadas é a nossa melhor oportunidade, não devemos desperdiçá-la.
— Mesmo sem os deuses, não precisamos implorar a forças de outros mundos. Creio que isso seja um teste, para ver se somos fortes e fiéis o bastante para lutarmos sozinhos. Sempre acreditei nisso.
— De novo com esse discurso? Não percebe? Os deuses nos abandonaram. Nos deixaram à própria sorte. Quem ainda se agarra a eles não passa de tolo.
— Como ousa! Vocês humanos sempre foram os mais devotos. Agora, só porque fomos deixados para provar nossa força, vocês já viram as costas...
— Não seja ridículo. Como pode ser tão cego? Eu, como Matriarca e representante dos elfos, aceito esse plano sem hesitar.
— Claro que aceita. Vocês elfos só sabem se esconder em suas florestas, esperando por salvadores. Patéticos! Nós, anões, não nos esconderemos atrás de lendas. Lutaremos até o fim, e se morrermos em combate, será digno.
O ambiente, já carregado, tornou-se sufocante após a resposta da elfa.
— Digno? Pelo que me lembro, a morte de seus dois filhos no campo de batalha não teve nada de digno...
Os olhos do anão avermelharam. Num ímpeto, saltou sobre Lady Carey, pronto para agarrá-la pelo pescoço. Mas antes que pudesse alcançá-la, uma sombra se moveu. Sir Provolon o agarrou pelos ombros e o derrubou com um golpe rápido, pressionando-o contra o chão. O jovem estrategista usava o peso do corpo e a alavanca dos braços para contê-lo. O esforço era visível, mas não recuava.
— Acalme-se, Thurgan!!
O anão se debatia, forçando cada músculo, tentando escapar. Normalmente, sua raça era fisicamente superior aos humanos, mas, mesmo assim, Provolon resistia com firmeza.
— Maldita elfa nojenta... como pode me dizer isso...
Os olhos vermelhos tremiam. Não eram de pura raiva, mas de dor. Neles havia o peso de um luto que nunca cicatrizara.
Provolon soltou o anão quando percebeu que ele havia se acalmado. Sabia que, por trás da cabeça quente, Thurgan guardava um lado sensível. E considerava o comentário de Lady Carey um ato de extrema crueldade.
— Lady Carey, por favor, não piore a situação. Essas discussões não nos levam a nada.
Ela deu de ombros, como uma criança que tenta mostrar desdém após ser repreendida. No fundo, até ela mesma sabia que tinha ido longe demais.
O clima, já tenso, ficou ainda mais pesado. Só se quebrou quando Castran tomou a palavra.
— Chega! Vocês não entendem a situação? Já perdemos. É apenas questão de tempo até sermos mortos... ou escravizados.
Ele se virou para Thurgan, o olhar severo. O anão já havia retornado ao assento, ainda com os olhos úmidos.
— Até os deuses viraram o rosto para nós. Thurgan, me escute. Você, mais do que ninguém, sabe o que é perder uma parte de si. Não podemos permitir que isso se repita. Devemos fazer isso.
O salão mergulhou em silêncio. Todos se entreolharam, mas ninguém ousou dizer nada. A guerra estava além de difícil. Cada um já compreendia o peso da derrota, mas ninguém queria admitir. Castran foi o primeiro a ter coragem de pronunciar o óbvio.
— Então, como será feito o ritual? Há itens necessários? Algum local específico?
— Já está tudo preparado, desde os materiais até o local. Não se preocupem com isso.
— E quando será?
— Dentro de dois dias. Quando Rufus Ardentus retornar de sua missão, ele comandará o ritual. Eu e mais oito dos melhores magos do reino participaremos.
Lady Carey manteve o olhar fixo no rei. Mesmo após tantas palavras, havia algo que ainda a deixava inquieta.
— Majestade... e quanto à última parte da profecia? Aquela que fala sobre o traidor entre os sete... O que pretendem fazer a respeito disso?
O salão mergulhou em silêncio mais uma vez. O ar parecia mais pesado, como se até as chamas das tochas vacilassem diante daquelas palavras.
Rei Castran demorou alguns segundos antes de responder. Seu tom foi firme, mas carregado de tensão.
— Esse assunto será tratado logo após o ritual. Primeiro, precisamos garantir que os heróis cheguem até nós.
Thurgan cerrou os punhos em silêncio. Eldros desviou o olhar, como se não quisesse pensar no que aquilo significava. Até mesmo Sir Provolon, que sempre mantinha a postura, deixou transparecer um traço de preocupação.
Ninguém ousou acrescentar mais nada. A sala permaneceu mergulhada em silêncio, e pela primeira vez desde o início da reunião, todos sentiram não apenas o peso da guerra... mas também o medo do que estava por vir.
Please sign in to leave a comment.