Chapter 0:
Falso Céu
Por que o cheiro desse lugar está tão ruim?
A casa está repleta de destroços e pessoas no chão.
Me pergunto por que eles não se levantam.
Minha mãe me segura em seus braços fracos. Para onde iremos?
Sua mão se estendeu em direção à maçaneta e a abriu.
Pequenas gotas do céu caem em meu rosto.
As casas que antes eram brancas foram tomadas por labaredas. Parecem quentes, gostaria de encostá-las.
A chuva não é capaz de apagar o fogo.
Algo continuava pulsando em seu peito, não parecia parar.
O cheiro está ficando cada vez pior, não sei como tantas pessoas dormiam no chão com esse fedor.
Conforme ela corria, atravessávamos diversos becos. Alguns ratos pareciam disputar algo vermelho próximo a alguém.
As nuvens estão escuras e a única luz da cidade são as chamas que rodeiam as casas.
Minha mãe não parou um momento sequer. Gostaria de ajudá-la a encontrar seja lá o que ela busca.
??? — Vai ficar tudo bem, Aldric. Eu vou cuidar de você.
Em seu rosto, gotas deslizam até mim. Senti meu corpo cair em algo denso. A mulher estava caída em um grande poço de lama junto a mim.
Suas roupas estão destruídas e manchadas por marrom e vermelho. Seus cabelos brancos foram pintados pela lama e parte de sua pele albina está preta.
Vejo ela se levantando e quase caindo novamente, mas nada impediu ela de agarrar meu pequeno corpo e aproximá-lo de seu peito.
Dentro do seu peito algo bate de forma rápida. Tão rápido quanto suas pernas.
Talvez ela esteja feliz.
Isso é bom.
Seus olhos estão vidrados em uma porta. Se a minha mãe está bem, não há motivo para eu ficar triste.
Abri um pequeno sorriso. Os olhos de minha mãe se encontram com os meus.
Ela está molhada e suja, mas ainda assim me oferece um sorriso fraco.
Senti ela me pressionando contra ela, meu corpo está frio pela chuva, mas seu calor aquece minha pele.
Por um momento senti seu corpo parando, mas em seguida vários pedaços de madeira foram empurrados para frente.
Essa não é a nossa casa, mas talvez fosse só uma nova brincadeira!
??? — Espere um pouco, Aldric. Sua mãe precisa buscar um brinquedo pra você, tudo bem?
Vejo ela correr em direção à porta, mas parece tomar cuidado na hora de fechá-la.
Minha mãe realmente é alguém incrível!
Podemos brincar juntos quando ela voltar.
A sala ficou silenciosa, mas ainda não entendo o porquê de tantas pessoas estarem gritando.
Por que ela está demorando tanto?
Passos começaram a ecoar pela sala.
Ela finalmente chegou!
A porta foi aberta de forma lenta, mas por que os seus passos são tão pesados?
Seus cabelos e olhos são opostos aos de minha mãe. Seu cheiro é o mesmo que senti nas ruas.
??? — Lembre-se desse momento, Artoria.
O homem agarrou meu pescoço e encostou seu dedo em minha testa. Meu corpo dói. Eu preciso da minha mãe. Meus olhos estão pesados. Ele jogou-me no chão, fazendo com que minha cabeça batesse na parede.
Por… que?
Vejo sua figura se aproximando da porta enquanto continua olhando para mim.
Eu não gosto dessa brincadeira. Senti meus olhos cedendo. Seu sorriso se manteve até que a porta se fechou.
Eu era lixo para ele?
Quem era Artoria?
Meus olhos cederam naquela grande sala silenciosa.
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