Chapter 3:
Un-Awakened
Dark nem terminou a frase. Com um movimento casual, jogou o protagonista no chão como se fosse lixo e deu um passo para trás, desviando do ataque.
“Já está revidando?” Ele sorriu. “Sabe que lobos se alimentam de coelhos, não é?”...
...
...
Sussurros. Vozes de homens, mulheres, crianças. Misturadas, sobrepostas, como rádio mal sintonizado.De repente, imagens tremeluziram.Um garoto. Uma garota, Rostos borrados, impossíveis de focar.“…não pode… ainda não…” “…prometeu…” “…ele vai quebrar se você não…”
Vozes de homens, mulheres, crianças. Sobrepostas, ecoando umas nas outras até virarem um ruído branco quase musical. Algumas pareciam chorar. Outras riam baixo, como se soubessem de uma piada cruel que ele nunca entenderia.
Então as imagens surgiram. Tremidas, instáveis, como filmagens antigas rodando em projetor quebrado.
Primeiro: uma garota. Cabelos longos caindo sobre o rosto, impossíveis de distinguir a cor. Ela estava de joelhos no chão frio — piso de laboratório? azulejos brancos rachados? — e estendia as mãos pequenas na direção dele. Não. Na direção de um garoto que se parecia demais com… ele mesmo? A mesma postura curvada, o mesmo tremor nos ombros.
Os lábios dela se moviam desesperadamente.
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Nada saía. Só silêncio cortante. Mas ele sentia. Sentia o pânico na garganta dela, o desespero nos olhos borrados, o jeito como os dedos tremiam tentando alcançá-lo.
“Eu…?” — a palavra escapou sem querer.
Ela não ouviu. Continuou chamando, gritando sem som, lágrimas caindo e evaporando antes de tocar o chão.
Ao lado dela, o garoto — ele? — respondeu algo. Um murmúrio baixo, exausto. Palavras que não chegavam. Só a sensação: cansaço profundo, uma promessa antiga pesando nos ombros como correntes.
Então o terceiro.
Um homem de jaleco branco imaculado. Postura ereta demais, mãos nos bolsos como se aquilo tudo fosse rotina. O rosto… borrado de propósito. Como se alguém tivesse passado borracha em cima da memória dele. Só os óculos refletiam luz fria, e a boca se movia em ordens secas.
Ele estendeu a mão para o garoto.
A garota se jogou na frente. Braços abertos, corpo pequeno tremendo inteiro. Um escudo frágil, mas feroz.
“Não toca nele.”
A voz dela finalmente cortou o silêncio — rouca, quebrada, mas clara.
“Você tem que revidar mais, &@¨#&@…”
O nome dele. O nome verdadeiro. Censurado por estática, como se o universo inteiro se recusasse a pronunciá-lo. A dor da ausência daquela sílaba doeu mais que qualquer soco que Dark tinha dado.
“Mas…” — o garoto sussurrou, voz infantil, frágil.
“Eu não vou poder te proteger pra sempre.”
As palavras caíram pesadas. Como pedras no peito.
O homem de jaleco bufou, impaciente.
“#¨$%&@ pare de protegê-lo. Tenho mais coisas a fazer.”
Nenhum nome. Nem do doutor, nem da garota. Só títulos vazios. Como se os nomes tivessem sido arrancados da história de propósito.
O garoto se levantou devagar. Joelhos tremendo. Mãos cerradas. E, estranhamente… o protagonista sentiu o próprio corpo se mover junto. Como se os músculos se lembrassem antes da mente.
Uma explosão distante. Luz laranja forte invadindo o canto da visão. Gritos abafados. O doutor virou o rosto, irritado, e correu na direção do caos, xingando baixo.
Silêncio de novo.
A garota virou para o garoto — para ele.
Sorriu.
Não era um sorriso bonito de conto de fadas. Era morno, cansado, rachado nas bordas. O tipo de sorriso que alguém dá quando sabe que está perdendo, mas ainda quer que a outra pessoa acredite que vai ganhar.
“Não disse que está tudo bem?” — voz suave, quase maternal. — “É só lutar contra.”
Ela estendeu a mão mais uma vez. Dedos abertos, convidando.
O garoto hesitou. Olhou para a palma dela como se fosse a coisa mais perigosa e mais preciosa do mundo.
“Eu…” — ele engoliu em seco. — “…na próxima vez, eu quem irei te proteger.”
A certeza na voz infantil contrastava com o tremor das mãos. Era uma promessa feita por alguém que ainda não sabia o preço.
O protagonista sentiu algo quente subir pela garganta. Não era choro. Era raiva misturada com saudade de algo que ele nem lembrava direito.
Ele sorriu de volta — o mesmo sorriso partido da garota.
E caminhou.
Passo após passo, rompendo a barreira gelatinosa entre a memória e o agora. O ar se rasgava como tecido velho. A escuridão se desfazia em fios, caminhou para frente, rompendo a barreira entre a memória e a realidade...
”Dark abriu a mão. Pedras e pilares foram arrancados do chão e suspensos no ar. Ele os arremessou.
O protagonista desviou. Esquerda. Cima. Um soco final que despedaçou as rochas em poeira.
logo depois desapareceu do campo de visão. Surgiu atrás, em posição de contra-ataque.
Pow.
Direto no braço.
Dark bloqueou com facilidade e revidou — soco lateral brutal.
O protagonista defendeu com a mão livre, mas o impacto o fez recuar. Estava sendo espremido, lentamente dominado.
Então a marca pulsou.
O som de despertar de um selo assim como de todos.
FZZZZ CHRAAAAA.
O formato mudou. Fechou-se num X vermelho-escuro profundo. Uma onda de energia os jogou para trás.
O protagonista estava sentado no banco de trás de um deles, entre o silêncio pesado. A pulseira destruída ainda pendia em pedaços no pulso.
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