Chapter 3:

Capítulo 3: Qual é o Seu Nome?

Un-Awakened


A poeira ainda pairava densa no fundo da cratera, como uma cortina suja que mal permitia enxergar além de alguns metros.
 O protagonista tossia, apoiando-se nos destroços do Hummer tombado. Seus ouvidos zumbiam com o eco do desmoronamento.
Uma voz grave e divertida cortou o silêncio.
“Ora, ora, ora… dois gatinhos perdidos.”O homem mascarado se aproximou devagar, a jaqueta de pelos pretos balançando com cada passo. Ele levou a mão à máscara de lobo e a removeu com um gesto lento, quase cerimonial.
Cabelos negros eriçados como espinhos. Olhos azuis gélidos. Cicatrizes de queimadura antigas serpenteando pelo lado direito do rosto, como se alguém tivesse tentado apagá-lo com fogo e não tivesse conseguido por completo.
Antes que o protagonista pudesse processar a visão, um grito agudo veio de trás.
“Você! Cuidado!!”
Vivian.
Uma força invisível o agarrou pelo peito e o ergueu do chão. Garras negras, feitas de pura escuridão espinhosa, o prendiam no ar como uma luva viva. Ele foi puxado violentamente para frente.
O homem de cabelos espinhosos o segurou com uma única mão, erguendo-o como se não pesasse nada. De perto, as cicatrizes pareciam pulsar levemente sob a luz fraca.
“Ouvi dizer que os Lamp Bringers tiveram uma visita nova esses dias.”
Vivian avançou sem hesitar, mãos vazias.

Dark nem terminou a frase. Com um movimento casual, jogou o protagonista no chão como se fosse lixo e deu um passo para trás, desviando do ataque.

“Já está revidando?” Ele sorriu. “Sabe que lobos se alimentam de coelhos, não é?”
Vivian abriu a boca para responder, mas Dark socou o ar à sua frente. Uma onda de escuridão marcada explodiu dele como um soco à distância. O impacto a lançou vários metros para trás, fazendo-a rolar na poeira.
“O quê…?” Vivian cuspiu sangue, tentando se apoiar nos cotovelos. “Mark Hunters …”

Dark caminhou até ela com passos pesados.
“Ainda não percebeu que é fraca?”
O protagonista se levantou devagar, o corpo doendo em cada movimento.
“Isso está ficando cada vez mais excitante~” Dark sorriu, os dentes brilhando na penumbra.
Ele virou para o garoto.
“Ei~ me conta. Qual o seu nome? O meu é Dark.”
“Não…”
“Ora…” Dark estendeu a mão. Garras de escuridão o agarraram novamente pelo ar e o puxaram como um ímã.
O protagonista cruzou os braços em X para bloquear, mas o soco veio em seguida — rápido, brutal. Depois um chute lateral que o fez ele ser jogado contra o ar.
“Facilite. Renda-se e ninguém vai se ferir,” disse Dark, voz nem um pouco amigável.
“Mark Hunters… vocês vivem causando problemas e matando inocentes. Por que iríamos nos render?”
Vivian lutava para se levantar, voz rouca de dor.
“E olha que eu tô pegando leve~” Dark zombou.
Ele puxou o protagonista de novo. Punho no peito. De novo. De novo. Canela. Barriga. Rosto. Cada golpe o arremessava contra a parede de lajes, rachando-a um pouco mais a cada impacto.
Vivian só conseguia olhar, olhos arregalados de choque e impotência.
Até que o corpo do garoto parou de se mover.

“Pensei que aguentaria mais. Que sem graça.” Dark o jogou mole contra a parede e se virou para Vivian.
“Agora sua vez, senhorita.”
A marca no braço do protagonista brilhou de repente.
Vermelho escuro correndo pelas veias, não só na tatuagem, mas nas feridas abertas, no sangue que pingava no chão.

“Ei…”


O mundo escureceu.Não o real. Só dentro da mente dele.


...

...

...

Sussurros. Vozes de homens, mulheres, crianças. Misturadas, sobrepostas, como rádio mal sintonizado.De repente, imagens tremeluziram.Um garoto. Uma garota, Rostos borrados, impossíveis de focar.

“…não pode… ainda não…” “…prometeu…” “…ele vai quebrar se você não…”

Vozes de homens, mulheres, crianças. Sobrepostas, ecoando umas nas outras até virarem um ruído branco quase musical. Algumas pareciam chorar. Outras riam baixo, como se soubessem de uma piada cruel que ele nunca entenderia.

Então as imagens surgiram. Tremidas, instáveis, como filmagens antigas rodando em projetor quebrado.

Primeiro: uma garota. Cabelos longos caindo sobre o rosto, impossíveis de distinguir a cor. Ela estava de joelhos no chão frio — piso de laboratório? azulejos brancos rachados? — e estendia as mãos pequenas na direção dele. Não. Na direção de um garoto que se parecia demais com… ele mesmo? A mesma postura curvada, o mesmo tremor nos ombros.

Os lábios dela se moviam desesperadamente.

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Nada saía. Só silêncio cortante. Mas ele sentia. Sentia o pânico na garganta dela, o desespero nos olhos borrados, o jeito como os dedos tremiam tentando alcançá-lo.

“Eu…?” — a palavra escapou sem querer.

Ela não ouviu. Continuou chamando, gritando sem som, lágrimas caindo e evaporando antes de tocar o chão.

Ao lado dela, o garoto — ele? — respondeu algo. Um murmúrio baixo, exausto. Palavras que não chegavam. Só a sensação: cansaço profundo, uma promessa antiga pesando nos ombros como correntes.

Então o terceiro.

Um homem de jaleco branco imaculado. Postura ereta demais, mãos nos bolsos como se aquilo tudo fosse rotina. O rosto… borrado de propósito. Como se alguém tivesse passado borracha em cima da memória dele. Só os óculos refletiam luz fria, e a boca se movia em ordens secas.

Ele estendeu a mão para o garoto.

A garota se jogou na frente. Braços abertos, corpo pequeno tremendo inteiro. Um escudo frágil, mas feroz.

“Não toca nele.”

A voz dela finalmente cortou o silêncio — rouca, quebrada, mas clara.

“Você tem que revidar mais, &@¨#&@…”

O nome dele. O nome verdadeiro. Censurado por estática, como se o universo inteiro se recusasse a pronunciá-lo. A dor da ausência daquela sílaba doeu mais que qualquer soco que Dark tinha dado.

“Mas…” — o garoto sussurrou, voz infantil, frágil.

“Eu não vou poder te proteger pra sempre.”

As palavras caíram pesadas. Como pedras no peito.

O homem de jaleco bufou, impaciente.

“#¨$%&@ pare de protegê-lo. Tenho mais coisas a fazer.”

Nenhum nome. Nem do doutor, nem da garota. Só títulos vazios. Como se os nomes tivessem sido arrancados da história de propósito.

O garoto se levantou devagar. Joelhos tremendo. Mãos cerradas. E, estranhamente… o protagonista sentiu o próprio corpo se mover junto. Como se os músculos se lembrassem antes da mente.

Uma explosão distante. Luz laranja forte invadindo o canto da visão. Gritos abafados. O doutor virou o rosto, irritado, e correu na direção do caos, xingando baixo.

Silêncio de novo.

A garota virou para o garoto — para ele.

Sorriu.

Não era um sorriso bonito de conto de fadas. Era morno, cansado, rachado nas bordas. O tipo de sorriso que alguém dá quando sabe que está perdendo, mas ainda quer que a outra pessoa acredite que vai ganhar.

“Não disse que está tudo bem?” — voz suave, quase maternal. — “É só lutar contra.”

Ela estendeu a mão mais uma vez. Dedos abertos, convidando.

O garoto hesitou. Olhou para a palma dela como se fosse a coisa mais perigosa e mais preciosa do mundo.

“Eu…” — ele engoliu em seco. — “…na próxima vez, eu quem irei te proteger.”

A certeza na voz infantil contrastava com o tremor das mãos. Era uma promessa feita por alguém que ainda não sabia o preço.

O protagonista sentiu algo quente subir pela garganta. Não era choro. Era raiva misturada com saudade de algo que ele nem lembrava direito.

Ele sorriu de volta — o mesmo sorriso partido da garota.

E caminhou.

Passo após passo, rompendo a barreira gelatinosa entre a memória e o agora. O ar se rasgava como tecido velho. A escuridão se desfazia em fios, caminhou para frente, rompendo a barreira entre a memória e a realidade...


A algema de ferro no pulso estalou. Rachou. Despedaçou-se em pedaços que caíram na poeira.
Ele agarrou o ombro de Dark.
“O quê?!”
Um soco direto no rosto. Dark bloqueou no último segundo e saltou para trás.
“Acordou, é?”
O protagonista não respondeu. Apenas encarou.
A marca em seu braço brilhou vermelho-carmesim. As de Dark brilhavam azul frio. Dois opostos gritando no ar entre eles.
Dark agarrou de novo pelo ar. O protagonista foi puxado com violência — mas bloqueou o soco seguinte com facilidade. Desviou do contra-ataque. Movimentos fluidos, quase instintivos.

“Vai ficar nessa de defesa mesmo? Chato.

”Dark abriu a mão. Pedras e pilares foram arrancados do chão e suspensos no ar. Ele os arremessou.
O protagonista desviou. Esquerda. Cima. Um soco final que despedaçou as rochas em poeira.

logo depois desapareceu do campo de visão. Surgiu atrás, em posição de contra-ataque.
Pow.
Direto no braço.
Dark bloqueou com facilidade e revidou — soco lateral brutal.
O protagonista defendeu com a mão livre, mas o impacto o fez recuar. Estava sendo espremido, lentamente dominado.
Então a marca pulsou.
O som de despertar de um selo assim como de todos.
FZZZZ CHRAAAAA.
O formato mudou. Fechou-se num X vermelho-escuro profundo. Uma onda de energia os jogou para trás.

O pulso do protagonista latejava com aura viva.
Então é assim que se usa uma marca…
Ele abriu e fechou as mãos, testando. Olhou para Dark.
“Finalmente vai usar seus poderes?” Dark riu e avançou de novo.
Rochas voaram do canto cego. Desvios. Golpes trocados em frações de segundo.
“Vem! Mostre do que é capaz! USE SUAS HABILIDADES!!!”
FIU.
A mão do protagonista subiu em arco perfeito. Escuridão envolveu o punho — igual à de Dark, mas mais crua, mais faminta.
Soco direto no queixo.
Dark voou para trás, batendo no teto da cratera e caindo de joelhos.
Ele se levantou devagar, limpando o sangue do lábio.
“Ora, ora…”Olhou para cima.
Homura estava na borda do buraco, silhueta contra o sol.
“Infelizmente estou no corre. Meu tempo esgotou, jovem.”A marca de Dark se desativou. Ele virou as costas.
Camellia apareceu correndo ao lado de Homura.
“Vocês estão bem?!”
Não deu tempo. Fumaça densa como neblina surgiu do nada, engolindo tudo. Quando dissipou, Dark e os outros dois mascarados já haviam sumido.
“Homura…” murmurou o protagonista.
“Cheguei atrasado, hein?”
Camellia correu para ajudar Vivian, que estava desmaiada. Lamper apareceu logo depois, ofegante.

Corte para a superfície.
Três veículos de resgate estacionados. Luzes fortes. Poeira assentando.


O protagonista estava sentado no banco de trás de um deles, entre o silêncio pesado. A pulseira destruída ainda pendia em pedaços no pulso.

“Como conseguiu quebrar a algema?” perguntou Homura, voz baixa.
O garoto não respondeu. Seus olhos já estavam fechados. O cansaço o venceu de uma vez.Homura suspirou, olhando pela janela.
“Pelo menos todos estão vivos.”O veículo começou a se mover devagar.
À frente, no horizonte, luzes começavam a surgir.
Uma grande cidade.
SilverTown.