Chapter 4:

Capítulo 4: Asas em Branco

Un-Awakened


O comboio de veículos cortava o deserto em silêncio disciplinado. O sol já começava a baixar, tingindo a areia de laranja queimado, e o horizonte ganhava contornos brancos e irregulares. SilverTown se aproximava.

Enquanto isso, os veículos de resgate se separaram do grupo principal, levando Vivian para tratamento urgente. O resto seguiu em frente.

O portão principal de SilverTown surgiu como uma muralha saída de um sonho gelado. Duas placas gigantes de metal prateado, polidas até refletir o céu nevado, guardavam a entrada. Atrás delas, uma montanha colossal de neve eterna servia de teto natural à cidade inteira — um vale protegido, isolado do mundo exterior. O portão rangeu e se abriu devagar, revelando quase oito metros de altura. O ar mudou imediatamente: frio seco, quase cortante, mas limpo, iluminado por lâmpadas frias que simulavam um dia perpétuo.

A cidade era acinzentada e austera. Casas de madeira escura com telhados inclinados, no estilo russo antigo. Ruas de pedra polida, calçadas com precisão militar. Flocos finos começavam a cair, dançando preguiçosos no ar gelado.

O veículo parou em frente a um pequeno prédio que parecia uma loja de conveniência — letreiro simples: “MIx 24h”. O piloto desceu sozinho, trocou poucas palavras com o caixa atrás do balcão e voltou.

Todos desceram. O protagonista sentiu o frio morder a pele exposta.

A caixa — uma mulher de meia-idade com expressão neutra — os guiou até o fundo da loja. Atrás de uma prateleira de refrigerantes, ela apertou algo invisível. A estante deslizou com um clique suave,

parede se movia lentamente e barulhento, revelando um corredor escuro.

“Estaremos esperando lá fora,” disse Homura, voz baixa.

O protagonista hesitou na entrada do túnel. Camellia passou por ele sem dizer nada e começou a andar na frente.

“Siga-me.”

O corredor era inesperadamente luxuoso: paredes de mármore negro com veios prateados, iluminação indireta suave, tapetes grossos que abafavam os passos. Depois de várias curvas, Camellia parou diante de um portão ornamentado.

Ela o abriu.

O quarto era amplo, minimalista, mas carregado de presença. No centro, uma cadeira alta como um trono simples. Sentada ali, uma garota de olhos fechados.

Cabelos longos e escuros caíam como tinta sobre ombros frágeis. Pele pálida quase translúcida. Vestia roupas brancas com relevos pretos — detalhes que pareciam asas estilizadas, angelicais e royal. Corpo pequeno, quase infantil, mas a postura era de alguém que comandava mundos.

“Saudações~” disse ela, voz leve como sino, mas firme como aço.

Camellia correu e abraçou as costas da garota por trás.

“Eros!”

O protagonista ficou parado, observando.

A garota — Eros — abriu seus lábios devagar. Sorriu com doçura genuína.

“Desculpe pela bagunça. Sente-se.” Eros parecia não abrir seus olhos

Minutos depois, os três estavam sentados em torno de uma mesinha baixa. Chá fumegante em xícaras de porcelana fina.

“Meu nome é Eros. É um prazer conhecê-lo.” Ela inclinou a cabeça levemente. “E… como pode ver, eu sou a fundadora da corporação Lamp Bringers~”

“Desculpe pelo intruso…” murmurou o protagonista.

“Nada disso. Eu que chamei vocês aqui.” O sorriso dela suavizou. “Ouvi dizer que foram atacados no caminho.”

Ela tomou um gole delicado.

“Me disseram também que você pode lutar… e gostaria de convidá-lo para entrar oficialmente como Lamp Bringer.”

“Eu…?”

“Sim.”

Ele hesitou. O peso da pulseira destruída ainda parecia pulsar no pulso.

“Cammy?” chamou Eros, voz doce.

“Pois não?” Camellia respondeu, ainda grudada nas costas da chefe como uma criança protetora.

“Pegue os uniformes na gaveta do fundo.”

Camellia suspirou, mas obedeceu.

Eros continuou, cabeça inclinada diretamente para o protagonista.

“Nossa corporação precisa de mais talentos. Usuários de marcas são raros… e valiosos. Precisamos fortalecer nossas fileiras para proteger o que resta.”

“Marcas…” repetiu ele, olhando para o próprio braço. A marca em vermelho-escuro ainda latejava fracamente, parece que o simbolo de X voltou.

“Sim. Selos únicos que aparecem no corpo — ou em objetos — de pessoas fortes… ou sortudas, você vai descobrir futuramente” Ela sorriu de lado. “Mas antes de decidir se quer entrar ou não… não vou forçá-lo.”

“Eu… quero saber mais sobre este mundo.”

“Bom.” Eros pousou a xícara. “Então encontre um nome para você primeiro.”

“O-o quê?”

“É uma parte importante. Um nome é o primeiro passo para se tornar alguém de verdade neste mundo.”

Ele piscou, confuso.

“Que tal fazermos uma troca?” propôs ela.

“O que significa… troca?”

“Você nos ajuda. Procura por seu nome também. Em troca, eu te dou informações sobre este mundo… e sobre algo que vale muito mais do que ouro.”

“Eu…”

“Não precisa me responder agora ainda.”

Camellia voltou com pacotes embrulhados em tecido preto. Uniformes novos.

“Estarei esperando…” Eros se levantou devagar, entregando os pacotes com as próprias mãos. Seus dedos eram frios como neve.

Passos.

O protagonista saiu da passagem secreta com os pacotes nas mãos. O ar gelado da loja o acertou de novo.

“Demorou, Cammy,” disse Reki, que havia chegado enquanto isso.

“Não passou tempo demais colada no chefe, né?” brincou ele, mas havia um tom frio de provocação como sempre, é sua personalidade

“Chefe?” murmurou o protagonista para si mesmo.

Camellia o empurrou de leve com o ombro e sussurrou perto do ouvido dele.

“Poucos já viram a aparência do chefe. Whitebird raramente sai em missões fisicamente.”

“Whitebird… assim que chamam?”

“Sim. Asas brancas. É como é conhecido entre os antigos.”

Homura quebrou o clima pesado.

“Bom, vamos dar uma volta na cidade. O chefe me avisou antes: é pra levar vocês pra conhecer SilverTown antes da próxima missão. E... fico feliz que esteja disposto a ajudar nosso time.” referiu se ao protagonista

A cena escureceu ao grupo sairem da loja.

De volta ao quarto secreto.

Dois vultos estavam de pé diante de Eros.

Um homem alto, cabelos semi-longos prateados caindo sobre olhos azuis royal. Uma garota de cabelos curtos, mesma cor, mesma frieza nos olhos. Ambos vestiam roupas azuis bem escuros de alta costura, como nobres de um império esquecido.

“Natsu… quero que você e seu irmão ajudem por trás desta missão do time Harvest.”

O garoto  ajoelhou-se elegantemente.

“Sim, senhora…”

A irmã apenas olhou pela janela, onde a neve caía mais forte agora.

“Apenas sigam eles… e mantenham todos em segurança.” Eros fez uma pausa. “Principalmente o garoto com marcas vermelhas no braço.”

Ambos assentiram.

Vestiram macacões cinzentos por cima das roupas elegantes.

“Agent Two, Eight… mission start.”

Enquanto os times de preparavam para uma nova missão,

 no fundo das ruínas longe de qualquer cidade.


Uma sombra alta caminhava entre pilares antigos, quase invisíveis sob a neve acumulada.

“A história está avançando como o esperado, não é?”

Passos leves. Ele fechou um livro antigo com capa verde e ajustou os óculos finos.

Levantou uma foto velha. Um rosto misterioso. Com a unha, riscou devagar o rosto na imagem.

“Você finalmente vai acordar~ Apollo~”

Um sorriso lento se formou.

“Todos estarão observando… o momento em que Apollo se desperta novamente. Inclusive você… jovem sem nome… ainda.”

No fundo das ruínas, semi-enterrada na neve, uma marca branca pulsou devagar.

Como um coração que voltava a bater.

Devagar.

Mas inevitável.

Como sempre...


Fim do Capítulo 4 (fim do volume 1)