Chapter 7:
Un-Awakened
O som de carne corrupta sendo rasgada ecoava no ar gelado. Reki girou a lâmina uma última vez. A gosma preta se contorceu antes de se desfazer em poços negros.
“Ei! Não acham que estão aparecendo mais?!” gritou Homura, ofegante.
Camellia, ao lado, destruiu outro com um taco. O impacto fez o Corruptivo explodir em pedaços viscosos.
“Devíamos só pular no buraco,” disse ela, limpando a boca com as costas da mão.
“Isso não deve ser uma boa ide—”
Antes que Homura terminasse, Reki já estava no ar. Sem hesitar, sem olhar para trás. Ele saltou direto para o vazio negro no centro da ruína.
“Droga,” Homura murmurou, já correndo atrás.
O protagonista trocou um olhar rápido com Camellia. Ela bufou.
“Esse idiota…” E pulou também.
Um a um, todos seguiram. O vento frio subiu como um grito enquanto caíam.
Eles conseguiram agarrar nas pedras irregulares das paredes internas. O buraco não era só um buraco — era uma escavação antiga, talvez uma mina abandonada. Pilares quebrados, trilhos enferrujados, túneis laterais se abrindo como veias escuras.
“Esse abismo é enorme,” disse Camellia, pendurada em uma saliência, olhando para cima. A entrada já era só um ponto de luz distante.
“Pelo visto vamos ter que explorar,” respondeu o protagonista, tentando não olhar para baixo.
Camellia fechou os olhos e soltou um suspiro longo.
“Provavelmente não iremos sair daqui tão cedo. Poderíamos pular ou algo assim, mas de qualquer jeito vão mandar a gente explorar mais aqui…”
“Então vocês gastam dias numa missão?” ele sussurrou, quase incrédulo.
“Até semanas,” ela respondeu, ainda de olhos fechados. “Às vezes meses. É assim que funciona.”
“Enfim,” interrompeu Reki, já pisando firme em uma plataforma mais larga. “Devíamos partir.”
Ash, que havia caído com eles sem esforço aparente, ajustou os óculos.
“Querem separar em equipes? O caminho parece ter vários.”
“Boa ideia,” concordou Homura.
Camellia olhou para o protagonista de lado, como se estivesse avaliando um aluno novo.
“Então… acho que posso ir com ele.”
Homura deu um tapinha no ombro do garoto, um gesto de despedida leve.
“Vou ter que ir sozinho neste caso.”
“Acompanharei o senhor Reki,” disse Ash, olhando para ele.
Reki não reclamou. Nem respondeu. Apenas começou a andar.
“Assim seja então,” concluiu Camellia.
Os grupos se separaram. Dois caminhos diferentes no escuro.
Lado do protagonista e Camellia
Os passos ecoavam nos túneis úmidos. Tochas antigas, ainda acesas por algum milagre, iluminavam pedaços de trilho e ferramentas enferrujadas.
“Está entediante,” reclamou Camellia depois de alguns minutos.
“Seria menos se a Vivian estivesse aqui?” perguntou o protagonista, meio brincando.
Camellia parou de repente.
“An? O que foi?” ele virou para trás.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
“Não é nada… só pensei que a vida talvez seria menos entediante caso eu ainda estivesse naquele vilarejo.”
“Vilarejo?”
“Onde eu nasci.” Ela começou a andar de novo, mais devagar. “Sabia? Eu já fui uma freira de igreja quando era pequena! Mas não era nada legal também.”
“Você ser freira?” Ele quase riu, mas viu que ela não estava brincando.
“Meu pai era dono da igreja, sabe? E meu avô era o chefe da vila. É complicado.” O olhar dela escureceu por um instante — algo realmente pesado passou por ali. Mas ela balançou a cabeça e mudou de assunto rápido. “E você? Encontrou algo sobre as memórias?”
“Nada depois da última luta,” ele suspirou longo.
Continuaram andando. Encontraram mais tochas, escadas de corda penduradas em buracos mais profundos, escamas antigas nas paredes que pareciam… mastigadas.
“Escadas?” o protagonista perguntou, espantado.
Camellia apenas deu de ombros.
“Pelo menos não vamos cair de novo.”
Continua no capítulo 7.2
Please sign in to leave a comment.