Chapter 8:
Un-Awakened
O protagonista e Camellia desceram as últimas escadas. O ar ficou mais denso, mais úmido, carregado de um cheiro metálico que lembrava ferrugem antiga. Quando os degraus acabaram, eles pisaram em um salão vasto — portas de madeiras escuras se abriam em todas as direções, como bocas silenciosas em uma parede circular. Uma fonte de luz que brilhava do além, mas a luz tremia, como se tivesse medo de iluminar o que estava além.
“O que é isto… parece irreal…” murmurou o protagonista, olhando para cima. O teto se perdia em escuridão.
“Que diabos é isto…” Camellia completou, voz baixa.
“Está frio aqui…” Ele vestiu o casaco novo do uniforme Lamp Bringer — tecido branco-acinzentado com detalhes prateados, ainda rígido de novo. O calor corporal dele mal conseguia atravessar.
“Estranho, não devia estar assim no fundo da terra—” Camellia parou de repente, virando o rosto. “Tem algo aqui…”
Uma sombra passou entre duas colunas em velocidade absurda. Não era um borrão — era algo vivo, rápido demais para os olhos acompanharem direito.
Ambos se viraram ao mesmo tempo, tentando seguir o movimento. A sombra desviava de pilares, pulava por saliências, como se estivesse brincando com eles.
“Ali!” gritou o protagonista.
Camellia agiu por instinto. Mastigou rápido um pedaço de barra de metal em seu bolso — segundos depois cuspiu uma bolha de chiclete translúcido e elástico. A goma voou como uma rede pegajosa, expandindo no ar e colando na sombra que tentava escapar.
“Finalmente…” Camellia chegou perto da a bolha de goma,.
Eles se aproximaram com cautela.
“Pera… um coelho?” O protagonista piscou.
Era mesmo um coelho — preto como carvão, olhos brancos brilhantes, orelhas longas demais para um animal normal. Ele se debatia preso na goma, mas não mordia nem arranhava. Só olhava.
“Por que teria um coelho aqui embaixo?” perguntou o protagonista.
Camellia estourou a bolha com um gesto rápido, estendendo a mão para pegá-lo.
“O que?”
O coelho desviou da mão dela com um pulo impossível — patas que cresceram de repente, como se a carne se esticasse. Ele saltou em direção a uma das portas abertas e desapareceu escada acima.
“Espera!” Camellia correu atrás.
O protagonista seguiu sem pensar.
Eram escadas e escadas. Espirais que não tocavam nada, degraus que flutuavam sobre o abismo infinito. Cada salto era um teste de equilíbrio — um passo errado e era só queda eterna. O vento subia do vazio como um sussurro constante. Cada pulo do coelho parecia guiá-los mais para cima — ou para o lado? Era impossível dizer.
“Que estrutura é essa…” murmurou o protagonista, ofegante, agarrando uma borda gelada.
O coelho parou no topo de uma escada isolada, suspensa no meio do nada. Virou a cabeça pequena para eles. Olhos brilhantes como pérolas, fixos, como se estivesse esperando. Encarando.
“Ele está… encarando?” Camellia sussurrou.
Em poucos segundos, o coelho sumiu de novo — um borrão preto que mergulhou em outra passagem, dentro de plataformas em xadrez preto e branco, o abismo brilhava de uma luz roxa, quase mágico, o que espera a criatura?
A tela cortou.
Outro lado do abismo
Reki e Ash caminhavam em silêncio absoluto. Túnel após túnel, sem tochas, só a luz fraca das lâmina de Reki iluminando o caminho — um brilho frio, quase prateado.
Em uma encruzilhada, Reki parou de repente.
“Hum?” Ash ergueu uma sobrancelha.
Ele permaneceu imóvel.
De repente, a espada dele estava apontada diretamente no pescoço de Ash. A ponta tocava a pele, sem tremer.
“H-huh? O que está fazendo, Reki?” Ash levantou as mãos devagar, como rendição.
Reki continuou em silêncio. Olhos fixos, expressão vazia.
“Podemos conversar…” Ash tentou, voz suave.
“Ainda está fingindo?”
“Fi-fingindo? Sou eu, Ash…”
Um leve corte. A lâmina mal tocou — mas o que escorreu não era sangue vermelho normal. Era um líquido avermelhado misturado com fios brancos e roxos, viscoso, que se desfez na cicatriz como se evaporasse.
Reki deu um passo para trás.
“Como eu esperei…” murmurou ele. “Traidora…”
O rosto de Ash sorriu — um sorriso que não chegava aos olhos. Então, lentamente, a pele começou a se desfazer. Fios finos, pétalas vermelhas e roxas caindo como flores mortas. O que restou era outra coisa — outra forma, outra presença.
“Eu sabia que não pude esconder… querido Reki~”
Reki apertou o cabo da espada.
“Lilith…”
continua em capítulo 8.
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