Chapter 9:

Capítulo 8: Envenenado

Un-Awakened


A central de SilverTown estava quieta demais. As luzes frias das lâmpadas industriais tremiam levemente, como se soubessem que algo ruim havia acontecido.

“A equipe VEIL está aqui… senhorita Eros, desculpe pela demora,” disse uma voz rouca de velho.

Eros virou-se devagar. Ray — o velho líder da VEIL — estava na porta, coberto de neve suja e sangue seco. Atrás dele, o que restava da equipe: corpos carregados em macas improvisadas, feridos gemendo baixo, olhares vazios.

“As notícias não vão muito bem…” respondeu Eros, voz baixa.

“Era tudo que conseguimos fazer,” murmurou Ray.

“Estão bem?”

Ray olhou para trás. Um rapaz jovem de cabelos brancos era carregado nos ombros de um companheiro — rosto pálido, olhos fechados, respiração rasa.

“O que restou desta missão…” Eros disse quase triste.

O velho permaneceu calado por um longo segundo.

“Talvez nada… Muito mais pro Reki.”

“Reki… ele foi pescado pro VEIL não faz 6 meses…”

Ray observou o horizonte nevado por onde o grupo havia partido. Preocupação profunda nos olhos enrugados.

“Pode voltar… Ray.”

“O rapaz já perdeu coisa demais,” respondeu o velho. Ele fez uma reverência lenta e se retirou, carregando o peso de quem sabe que o próximo pode não voltar.

Eros ficou sozinha por um instante. Então ouviu passos leves.

“Senhorita Eros…” era uma voz suave de um mero adolescente de cabelos brancos compridos. Ao lado dele, a irmã — uns 15 anos, olhos azuis frios.

“Ah… Eriel… o time está bem…?”

“Eu… 13 mortes e… todos feridos.”

Eros parou. A mão dela tocou o próprio pulso como sinal de arrependimento

“Nossa líder ela…” Eriel murmurou.

“Ash foi uma boa garota…” Eros concordou, e deu um cafuné suave no garoto. “Vão descansar. Amanhã a gente.. tudo estará bem...”

BAM!

Reki empurrou Lilith contra a parede de pedra rachada. A força fez poeira cair do teto.

“COVARDE! COVARDE! Redimiu após aquilo não foi? POR QUE ESTÁ CONTRA MIM!!”

Lilith sorriu — um sorriso torto, quase carinhoso.

“Foi só porque eu me desfarcei dela ou…”

“Cinco anos, cinco anos atrás, você jurou que ia estar com a equipe até o final!” Reki enfiou a espada ao lado da cabeça dela, a lâmina raspando a pedra. Quase acertou.

“Você era a culpada, Lilith. Se não fosse por você— se não fosse por voce a Ash ainda estaria viva!!!” Ele agarrou a roupa dela com força.

 “Me responda!”

Lilith olhou nos olhos dele. O sorriso sumiu.

“Você só fala isso porque gostava dela, não? Amava ela…”

Reki esfriou. A mão que segurava a roupa tremeu.

“Enquanto você ainda ficou neste Lamp Bringers desgraçado… eu me redimi. Não fui fraca o suficiente pra ser bonzinho e permanecer.”

Ela se aproximou devagar.

“Junte-se a mim, Reki. Aos Mark Hunters. Pela vingança.”

Reki retirou a lâmina e apontou direto no pescoço dela.

Ambos ficaram em silêncio. O abismo ao redor parecia prender a respiração.

Lilith empurrou a lâmina para trás com a mão nua. Sangue escorreu — vermelho misturado com fios roxos e brancos. Ela agarrou o pescoço dele.

Reki tentou reagir, mas a raiva o deixou lento.

Ela o beijou.

Os lábios dela tocaram os dele como se ainda se lembrassem do formato exato. Primeiro leve, quase hesitante — um toque que pedia perdão sem palavras. Depois mais profundo, mais urgente. A língua dela roçou a dele devagar, como se quisesse saborear cada segundo de raiva e saudade misturados. Reki sentiu o gosto metálico do sangue dela, o veneno se espalhando quente pela garganta, mas não conseguiu empurrar. As mãos dele apertaram os ombros dela, não para afastar, mas para segurar — como se ainda doesse soltar.

O beijo durou tempo demais. Tempo suficiente para o corpo dele começar a amolecer, para o veneno subir devagar pelas veias como fogo frio. Tempo suficiente para ele lembrar, por um instante, de como era antes — antes da traição, antes da Ash, antes de tudo virar cinzas.

Quando finalmente se separaram, Reki limpou a boca com as costas da mão, sem se hesitar.

“Eu irei te matar… e vai ser agora mesmo…” falou baixo, ainda olhando para baixo.

Quando finalmente se separaram, Reki limpou a boca com as costas da mão, o gesto trêmulo.

“Não tão cedo.”

Reki sentiu o corpo ceder. O mundo girou devagar. O veneno era doce, lento, inevitável. A visão escureceu.

Ele desmaiou nos braços dela.

Lilith o segurou com cuidado, como se fosse algo precioso.

“Desculpe, querido… mas ainda não acabou.”