Chapter 10:
Un Awakened
Camellia e o protagonista subiam as escadas flutuantes com cuidado, degrau por degrau. Elas não tocavam nada — pairavam no vazio como peças de um quebra-cabeça quebrado, formando um xadrez irregular de pedra suspensa no céu do abismo. O vento frio subia do fundo infinito, fazendo as escadas tremerem levemente, como se respirassem.
“Nunca vi algo assim,” Camellia afirmou, olhando para o abismo abaixo. O negro parecia vivo, sugando a luz das iluminações distantes.
“Isto é amedrontador…” concluiu o protagonista, segurando firme na borda irregular.
O coelho preto esperava na plataforma alta seguinte. Imóvel, olhos brilhantes fixos neles, como se os convidasse a subir.
O protagonista encarou-o por um instante. “Mal consigo ver o topo do teto, se é que tem.”
“Vai que isto é a habilidade de alguma coisa,” disse Camellia, meio brincando, meio séria.
“H-habilidade? Quem faria isso…” perguntou ele, incrédulo.
Camellia deu de ombros enquanto continuava subindo. “Homura não te contou? As marcas podem se anexar em objetos ou ruínas, em vez de humanos…”
“Isso é mal…” ele murmurou, seguindo-a.
“Está entediante subir escadas infinitas… imagino o que será que está acontecendo com o resto,” Camellia suspirou.
Depois de um bom tempo — pernas ardendo, respiração pesada —, eles finalmente alcançaram a plataforma.
“Isso foi entediante pra caramba,” Camellia bufou, apoiando as mãos nos joelhos.
O protagonista chegou logo depois. O coelho os encarou de novo, sem piscar.
“Esse coelho—!”
Não deu tempo de reagir. As escadas e plataformas ao redor começaram a se mover devagar — um rangido baixo de pedra contra pedra. Elas giraram, subiram, desceram, se rearranjaram em um labirinto vivo, paredes altas se erguendo onde antes havia vazio.
“Está de brincadeira,” Camellia parecia estar ficando louca.
O protagonista olhou para o coelho. “O que ele—”
O coelho começou a se contorcer.
“Ei…” tentou chamar Camellia, que já estava caída no chão, dramática, olhando para cima com expressão de “não acredito nisso”.
O corpo pequeno do coelho inchou, esticou. Braços e pernas esqueléticos cresceram como tinta preta derramada ao contrário. Ossos pulsantes, negros como breu. Olhos vermelhos se multiplicaram em rachaduras na cabeça. Bocas rasgadas se abriram com dentes humanos irregulares. Orelhas contorcidas ficaram retorcidos. Espinhos brotaram pelas costas como lâminas vivas. Um grito contorcido saiu — não de animal, mas de algo que imitava dor humana.
Assim avançou para os dois.
“Corra!” o protagonista puxou Camellia que ainda estava no chão.
“Huh?” Quando ela abriu os olhos, já estava correndo também, só vendo um monstro de aparência de coelho distorcido atrás deles.
“Labirintos… que droga!” gritou o jovem, pulando para uma plataforma que acabara de se alinhar.
Após uma esquina apertada, o monstro pareceu parar de segui-los. O som dos passos pesados diminuiu.
Ambos pararam, exaustos, ofegantes.
“Quanto a gente correu…” disse Camellia, encostando na parede.
“Não tem como quebrar a parede?”
“Eu já tentei,” respondeu ela, sentando contra a pedra fria. “Essas paredes também são altas demais pra pular…”
O protagonista olhou para o chão. Agora era gramado — verde escuro, úmido, crescendo em rachaduras impossíveis.
“O que fazemos… atacamos o?”
“Pelo menos você está sendo útil agora,” Camellia fechou os olhos e tomou água da garrafa na bolsa.
“Isso não foi uma resposta…”
“Enfim… vamos só achar a saída e é isso.”
“Está falando sério? Esse é o plano?” o protagonista olhou para ela com curiosidade.
“Olha só, novato, apenas siga,” ela fingiu ser experiente, cruzando os braços.
Não deu tempo de descansar ou bolar nada. O grito do monstro voltou — feroz, mais próximo.
“Temos que ser rápidos,” disse Camellia, agora de pé.
“Mas…”
“Apenas corra!”
Eles dispararam de novo pelo labirinto vivo, paredes se movendo ao redor como peças de xadrez enlouquecidas, o monstro logo atrás.
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