Chapter 11:
Un-Awakened
Esquerda. Direita. Meio.
Eles corriam sem parar.
O labirinto flutuante parecia não ter fim. Escadas suspensas no vazio se rearranjavam constantemente, plataformas giravam devagar no ar, paredes de pedra surgiam do nada e desapareciam como se o próprio espaço estivesse vivo e brincando com sua sanidade. O abismo negro abaixo parecia sugar toda a esperança.
Camellia tentava de tudo.
Mastigava pedaços de pedra solta com raiva, transformando-os em chiclete pegajoso e elástico para criar cordas, barreiras ou projéteis. Tentava pular para plataformas mais altas, atacar o monstro quando ele aparecia nas sombras, quebrar paredes. Nada funcionava. Toda vez que achavam uma brecha, o caminho os trazia de volta ao mesmo ponto.
De volta ao monstro.
Os pulmões ardiam. As pernas pesavam como chumbo. O suor escorria pelo rosto de ambos, misturando-se ao frio cortante que subia do abismo.
O protagonista tropeçou e caiu de joelhos, respirando com dificuldade. Camellia desabou ao lado dele, costas contra uma parede fria, o peito subindo e descendo rapidamente.
“As paredes… pareciam mover…” disse ele entre suspiros pesados.
Camellia permaneceu calada, o olhar perdido no vazio.
“C… Cammy?” ele chamou, usando o apelido pela primeira vez com hesitação.
Ela virou o rosto devagar. Seus olhos estavam arregalados, quase em choque.
“E… eu disse alguma coisa errada?”
“Não é nada…”
“Você parece estar hesitando em usar seu poder…”
Camellia olhou para a própria mão. A marca em espiral na lateral da língua latejava visivelmente, veias escuras pulsando sob a pele. Ela tentou pegar a garrafa d’água, mas estava completamente vazia.
“Você…”
“Não se preocupe… é apenas a maldição da marca.”
“M-maldição?”
Ela respirou fundo, como se doesse admitir em voz alta.
“Cada tipo de marca tem suas consequências… No meu caso, é a stamina. Quanto mais eu uso, mais rápido eu me esgoto. Se exagerar demais… eu desmaio.”
GRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!
O grito distorcido do monstro-coelho ecoou novamente, muito mais perto.
A parede atrás deles explodiu em pedaços. A criatura surgiu, maior, mais deformada, corpo negro pulsando como tinta viva, espinhos afiados brilhando nas costas.
O protagonista se levantou num salto e acertou um soco instintivo, a marca vermelha brilhando fracamente em seu pulso.
Mas o monstro se dissolveu em líquido negro no último segundo, passando direto pelo corpo dele como uma sombra viscosa e gelada.
“!”
De repente, todo o labirinto começou a se desfazer.
Escadas, plataformas, paredes — tudo derreteu em grossas gotas de tinta negra, escorrendo para o abismo infinito. O chão sob os pés deles voltou a ser terra irregular e fria.
Passos pesados de botas ecoaram na caverna agora aberta.
“Ele durou menos do que eu pensei…”
As tintas negras voltaram para o vazio como se nunca tivessem existido, revelando uma figura parada a poucos metros deles.
Olharam para cima.
Uma torre invertida flutuava no centro do abismo, sua base apontando para o céu escuro e o topo virado para baixo. No ponto mais alto brilhava uma energia roxa intensa, pulsando como um coração doente e se espalhando pelo ambiente em veias luminosas.
“Olha só… nos vemos aqui.”
Uma voz masculina, pesada, mas jovem, cortou o silêncio.
“A maldição das marcas, hum?”
O desconhecido deu um passo à frente, saindo das sombras. Um sorriso preguiçoso e cruel apareceu em seu rosto.
“Deixa eu te contar~ sobre a crueldade desses pobres selos que vocês carregam no corpo.”
A marca roxa estampada sobre a torre invertida brilhou ainda mais forte, iluminando todo o espaço com uma luz doentia, como uma luz descontrolada, sem consciente...
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