Chapter 11:

Capítulo 10: Crueldade

Un-Awakened


Esquerda. Direita. Meio.

Eles corriam sem parar.

O labirinto flutuante parecia não ter fim. Escadas suspensas no vazio se rearranjavam constantemente, plataformas giravam devagar no ar, paredes de pedra surgiam do nada e desapareciam como se o próprio espaço estivesse vivo e brincando com sua sanidade. O abismo negro abaixo parecia sugar toda a esperança.

Camellia tentava de tudo.

Mastigava pedaços de pedra solta com raiva, transformando-os em chiclete pegajoso e elástico para criar cordas, barreiras ou projéteis. Tentava pular para plataformas mais altas, atacar o monstro quando ele aparecia nas sombras, quebrar paredes. Nada funcionava. Toda vez que achavam uma brecha, o caminho os trazia de volta ao mesmo ponto.

De volta ao monstro.

Os pulmões ardiam. As pernas pesavam como chumbo. O suor escorria pelo rosto de ambos, misturando-se ao frio cortante que subia do abismo.

O protagonista tropeçou e caiu de joelhos, respirando com dificuldade. Camellia desabou ao lado dele, costas contra uma parede fria, o peito subindo e descendo rapidamente.

“As paredes… pareciam mover…” disse ele entre suspiros pesados.

Camellia permaneceu calada, o olhar perdido no vazio.

“C… Cammy?” ele chamou, usando o apelido pela primeira vez com hesitação.

Ela virou o rosto devagar. Seus olhos estavam arregalados, quase em choque.

“E… eu disse alguma coisa errada?”

“Não é nada…”

“Você parece estar hesitando em usar seu poder…”

Camellia olhou para a própria mão. A marca em espiral na lateral da língua latejava visivelmente, veias escuras pulsando sob a pele. Ela tentou pegar a garrafa d’água, mas estava completamente vazia.

“Você…”

“Não se preocupe… é apenas a maldição da marca.”

“M-maldição?”

Ela respirou fundo, como se doesse admitir em voz alta.

“Cada tipo de marca tem suas consequências… No meu caso, é a stamina. Quanto mais eu uso, mais rápido eu me esgoto. Se exagerar demais… eu desmaio.”

GRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

O grito distorcido do monstro-coelho ecoou novamente, muito mais perto.

A parede atrás deles explodiu em pedaços. A criatura surgiu, maior, mais deformada, corpo negro pulsando como tinta viva, espinhos afiados brilhando nas costas.

O protagonista se levantou num salto e acertou um soco instintivo, a marca vermelha brilhando fracamente em seu pulso.

Mas o monstro se dissolveu em líquido negro no último segundo, passando direto pelo corpo dele como uma sombra viscosa e gelada.

“!”

De repente, todo o labirinto começou a se desfazer.

Escadas, plataformas, paredes — tudo derreteu em grossas gotas de tinta negra, escorrendo para o abismo infinito. O chão sob os pés deles voltou a ser terra irregular e fria.

Passos pesados de botas ecoaram na caverna agora aberta.

“Ele durou menos do que eu pensei…”

As tintas negras voltaram para o vazio como se nunca tivessem existido, revelando uma figura parada a poucos metros deles.

Olharam para cima.

Uma torre invertida flutuava no centro do abismo, sua base apontando para o céu escuro e o topo virado para baixo. No ponto mais alto brilhava uma energia roxa intensa, pulsando como um coração doente e se espalhando pelo ambiente em veias luminosas.

“Olha só… nos vemos aqui.”

Uma voz masculina, pesada, mas jovem, cortou o silêncio.

“A maldição das marcas, hum?”

O desconhecido deu um passo à frente, saindo das sombras. Um sorriso preguiçoso e cruel apareceu em seu rosto.

“Deixa eu te contar~ sobre a crueldade desses pobres selos que vocês carregam no corpo.”

A marca roxa estampada sobre a torre invertida brilhou ainda mais forte, iluminando todo o espaço com uma luz doentia, como uma luz descontrolada, sem consciente...